"SEI QUE NADA SEI, NO ENTANTO SEI, QUE ENQUANTO VIVER COMBATEREI COM TUDO O
QUE ESTIVER AO MEU ALCANCE, TODOS OS QUE COMETEM ALIENAÇÃO PARENTAL"

terça-feira, 24 de junho de 2014

MEU FILHO MEU HERÓI


 A lágrima mais bonita é a da saudade, pois ela nasce dos risos que já foram, dos sonhos que não acabam e das lembranças que jamais se apagam.

Puro amor de minha alma
Estrela linda e brilhante
De rostinho fascinante
Razão desse meu viver
Orgulho, carinho...bem querer.
És toda a felicidade
Na minha vida meu filho
Razão de todo amor
Iluminando meus dias
Que Deus te abençoe para sempre
Um anjo em forma de gente
Eu te amarei para sempre.
Suave riso inocente
Infinita admiração
Luz divina e reluzente
Tu meu filho querido
Amor... pulsar do meu coração

 

sexta-feira, 30 de maio de 2014

A HIPOCRISIA EM TODO O SEU ESPLENDOR.

Ele tinha ficado desempregado há apenas dois anos mas o subsídio de desemprego transformado em projecto ainda suportou o casamento cerca de mais dois anos. Depois com o tal projecto de pantanas e já sem dinheiro toda a estrutura familiar começou a desabar.

Um dia quando a noite começava a beijar as horas ela se aproximou dele e disse a Esmeralda (nome fictício) recebeu um convite do seu 'pai' no facebook a pedir-lhe amizade!
- E? Perguntei eu.
- Ela não lhe quer responder.
- E? Perguntei eu de novo.
- O que é que tu achas?

Antes de prosseguir com esta 'macabra' história convém situar-mos os personagens da mesma e localizá-los na dita cuja.

Eu vinha de uma aventura amorosa (a primeira) fracassada, a minha companheira fartou-se e regressou às origens, entretanto a minha ex-mulher tinha falecido e atravessei o chamado período de repouso, trabalhava e fazia desporto.
Durante este período ainda ocorreu uma cena quase dramática com uma psicóloga mas claro a coisa não solidificou, ela vinha de uma relação rompida e eu tinha acabado também à pouco, ambos sem passar pelo tal período de 'nojo' nos envolvemos e claro a coisa deu para o escuro. Eu gostava dela, gostava muito dela, tinha uma voz muito feminina, aparentava ser 'calminha' e era muito inteligente.
Adoro mulheres inteligentes. A sua pele macia como as plumas, os olhos desconfiados e quando a abraçava ela se encolhia como os 'corninhos' dos caracóis quando tocados.
Creio que foi a falta de 'preliminares', por insegurança, ingenuidade, sei lá, eu estava nervoso e fiz algo de errado (como sempre) e a coisa cessou.
Como imaginam, depois destas cenas todas um homem quer é repouso, mais umas cenas a atirar para a desgraça entretanto chocaram umas com as outras e fui-me afastando, inclusive de umas grandes amigas que um dia talvez as traga para as minhas memórias.
Dedicado apenas ao trabalho, ao desporto e à leitura, um dia num espaço comercial (era na época uma espécie de animador de rádio) encontrei a principal protagonista desta história.

Sendo que eu, apesar de estar ainda traumatizado com algumas cenas, já tinha percorrido um certo período celibatário e como um homem (dizem) não nasceu para estar só, vai daí a coisa deu o nó.
Entretanto decorreram treze anos e um fruto do nosso enlace surgiu. A Cleópatra (nome fictício como é óbvio, de forma alguma quero ser desterrado para o deserto do Sarah) como é normal durante os anos da nossa relação foi-me contando histórias e eu a ela. É provável que haja sempre nessas histórias um certo floreado, exagero e algumas mentiras leves de parte a parte, mas como lhe disse pelo menos uma vez (isto de um gajo ser honesto é uma pôrra) nunca deixei de gostar de qualquer mulher que passou na minha vida e ela não seria excepção, mal eu sabia o que andava no ar).

O nosso seio familiar era agora composto por nó os dois, a Esmeralda do seu primeiro casamento e o puto, o meu 'Calvin'.
Não sei quem foi a vedeta que escreveu isto: "Quando a necessidade entra pela porta, o amor sai pela janela" mas, em cheio. O amor naquele lar há muito que tinha saltado pela janela, pela chaminé, por tudo o que era buraco.

O 'pai' da Esmeralda abandonou a Cleópatra quando a Esmeralda tinha seis meses, NUNCA MAIS DEU SINAIS DE VIDA. Segundo uma versão mais recente, o senhor ainda tentou aproximar-se de Cleópatra e sua filha Esmeralda só que eu já tinha entrado em cena. Há aqui um lapso de tempo que convém esclarecer, eu quando entrei em cena a Esmeralda tinha já seis anos, ou seja, o artista pelo menos nesses seis anos nunca deu sinais de vida e o burro sou eu.
Quando surgiu a necessidade de registar o Calvin é que foi o car...lho, uma gaja no registo civil disse que visto a Cleópatra ainda estar casada com o 'pai' da Esmeralda era necessário uma declaração do artista a dizer que o Calvin não era seu filho, para eu poder registá-lo como meu, para complicar ainda mais as coisas o meu bilhete de identidade tinha o meu estado civil como 'viúvo' pois vigorava a minha
situação primeira e nós ainda não estávamos casados, vivíamos em "união de facto", que bonito.
A Cleópatra ainda apelou à senhora do registo argumentando que o seu 'marido' a abandonara há cerca de dez anos e que nem o Ministério Público o conseguia encontrar para lhe dar o divórcio. A sra. impávida, "não posso fazer nada".

Podem imaginar a minha fuça e a cara da D. Cleópatra.
Quis Deus ou os meus pais que eu tenha nascido com alguma massa encefálica que de imediato iniciou um trabalho surreal só possível num país como Portugal. Procurei umas letras muito semelhantes às do meu bilhete de identidade e alterei o meu estado civil através de uma fotocópia.
Com a certidão do Calvin, com o seu bilhete de identidade e com uma fotocópia do meu a D. Cleópatra dirigiu-se desta vez a um registo civil de Lisboa, o outro era o de Vila Franca de Xira.
Com o argumento de que devido à minha profissão (agora era, condutor de longo curso) e que não podia andar sem o bilhete de identidade pelas estradas da Europa, a D. Cleópatra apresentou-se para registar o Calvin como nosso filho. Sem mais perguntas o meu puto lá foi registado e eu à porta do tal registo esperando pelo desenlace de todo este imbróglio só possível num país terceiro mundista como Portugal.

Entretanto o Ministério Público lá concedeu o divórcio à D. Cleópatra (ao fim de quase 10 anos) mesmo sem a presença do tal artista e assim podemos casar e ser ainda durante algum tempinho "muito felizes".

Voltamos agora ao inicio da história, onde eu com cara de parvo exclamava - E?
-O que eu acho é que a Esmeralda deveria de responder 'sim' ao seu 'pai' e ver o que o sr. tem para dizer ao fim destes vinte anos sem 'noticias'. Argumentei tal como disse, com cara de parvo.
 Sim, o sr. esteve vinte anos sem dar 'noticias' à filha e à D. Cleópatra.

Não sei o que se passou a seguir nem quero saber, eu há muito que dormia na sala porque meu casamento estava destruído, só sei que um dia, ainda permanecendo lá, tive necessidade de entrar no quarto onde fui feliz e o contrário. Qual não foi o meu espanto ou não, quando olho para a cómoda  estavam duas fotos para mim estranhas, uma do seu primeiro casamento com o pai da Esmeralda e outra de dois putos filhos do sr. artista com outra mulher que não a D. Cleópatra. E um envelope de Boas-Vindas ao sr. artista. Um homem tem de passar por cada merda na puta da vida. Poderia aqui descrever mais alguns pormenores da puta da minha vida, mas chega. Sei que sem nada, fui literalmente despejado na rua, ainda dormi algumas noites numa velha casa que por esmola a D. Cleópatra me concedeu sempre acompanhado por ratos durante a noite e que também tive de abandonar ao fim de uns dias, sem onde ficar valeu-me um Amigo de infância que me recolheu.

Antes de abandonar em definitivo o 'Lar Doce Lar' ainda lhe disse "Tu não vês que estás a destruir mais um lar (já tinha destruído o dela) e que estás a separar um pai dos seus dois filhos (agora já são três). Ao que ela respondeu "Ele não é feliz e a gente se ama".
Parece que o sr. artista é mais inteligente do que eu supunha, pois voltou a assumir a relação com a mãe dos seus três filhos e abandonou a D. Cleópatra.

Onde está a Hipocrisia? Perguntar-me-ão.
Calma minha gente, se não fosse um Amigo de Infância não sei qual teria sido o meu destino, pensei o pior e desesperei.

Eis que há pouco vejo a D. Cleópatra publicar uma foto numa rede social revoltando-se contra a falta de assistência a um sem abrigo dizendo: "isto é um nojo".


Entretanto estou impedido de falar com o meu filho, pela simples razão de estar desempregado. Não quero fazer mais comentários. Não sou capaz, talvez daqui a uns tempos.



quinta-feira, 13 de março de 2014

POR MORRER UMA ANDORINHA...

NUNCA PENSEI, QUE DEPOIS DE TANTA AMIZADE, FICASSE TANTA MALDADE ESCONDIDA NO TEU PEITO.

Não sou pior nem melhor que tu, diferente, apenas diferente. E isso faz toda a diferença.
Quando visito o meu passado, o que faço com alguma frequência, procuro os momentos em que me fizeste sorrir, recordo quando me deste prazer e revejo-me quando era feliz. Ao contrário de ti que teimas em só 'mastigares' o que de mau aconteceu. Mais grave ainda, não desistes de praticares a alienação parental contra mim, contra o teu filho e contra ti própria. Essa força, a força da alienação que utilizas e que nem reparas que vem da tua fragilidade de só conseguires identificar em nós, aquilo que nos separa ignorando o que nos une e o que nos uniu.
Quando se me ocorrem aqueles 'flashs' de feridas quase cicatrizadas em que o desespero tomava conta de mim, de imediato procuro fugir, apenas para continuar em frente.
Não me regozijo por te ver triste e saber que sofres, sabes, isso não me é estranho, eu conheço esses trilhos que me fizeste percorrer apesar de já quase serem poeira. Saberás melhor que ninguém porque utilizas o fruto do nosso amor contra mim e procuras atribuir a todas as tuas desgraças a minha responsabilidade. Como sempre, saberás o que estás a fazer.
Um dia quando despertares (se é que vais acordar) verás toda a tua vida como um filme de segunda categoria e então dirás que algumas cenas não tinham forçosamente de ser assim e sentirás que já nada podes alterar.
Ninguém te vai 'recomendar' e sentirás toda a solidão do mundo, coisas próprias de gente que articula a vida como tu articulas.

Podes ser o que tu quiseres, mas se teimas em seres o que os outros querem que tu sejas, lamento; lamento por ti, pelos teus frutos e por tudo aquilo que dizes que amas.



sexta-feira, 4 de outubro de 2013

CAUSA E EFEITO

A  FRASE:
 - "Tudo o que fazemos aos outros, fica inscrito no curso do nosso destino e, um dia, vem de volta para nós. Espero."

A  ANÁLISE:
-Se é que isso é possível.
É notório numa primeira observação, de que quem escreveu isto é, no mínimo, um ser interesseiro. Pratica o bem sempre e só com o olho na recompensa, claro que posso estar equivocado logo terei de lhe atribuir o benefício da dúvida.
Mas conhecendo eu "o indivíduo" em causa permitam-me alguns círculos, quiçá de má língua, em torno desta frase. Tratando-se de um desabafo aceita-se a coisa mas, dito como algo que vem do seu interior só pode tratar-se de uma imbecilidade.
Já não sei se é um lugar comum ou não a cena de 'não olharmos a meios para atingir os fins'. Mas se fizemos, praticámos ou aplicámos o bem em terceiros e em vez de uma determinada retribuição ou um simples agradecimento somos ignorados ou rejeitados, a coisa fica preta. Já o simples (que não é assim tão simples) facto de destruirmos a felicidade de seis ou sete para conseguirmos a felicidade de dois (embora não se trate de simples equação matemática) parece-me um pouco exagerado, para não dizer doentio. Então se essa felicidade é alicerçada sobre o sofrimento de crianças não me parece uma cena correcta, mas quem serei eu para julgar o construtor dessa tão magnífica obra.
Analisando cientificamente (se é que isso é possível) palavra a palavra a dita frase, para lá de ser uma tarefa hercúlea e longe das minhas parcas capacidades, o tal 'construtor' da dita cuja não me parece merecedor de tal trabalho pelo simples facto do que expôs nessa fatídica frase.

Apenas registar o facto de que tal arquitecto só pensou no 'Bem' que supostamente pratica, num 'lapsus calami' omitiu nas mesmas proporções o 'Mal' que está ali mesmo ao lado e logo "Ficará também inscrito no curso do seu destino".


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

VELHO RANZINZA...

Quando um velho homem morreu numa enfermaria de geriatria de um lar de idosos numa cidade do interior da Austrália, pensava-se que ele não tinha mais nada de qualquer valor.
Mais tarde, quando as enfermeiras reuniram os seus parcos pertences, encontraram este poema. 
A sua qualidade e conteúdo impressionaram tanto a equipe, que fizeram cópias e distribuíram por cada uma das enfermeiras do hospital. 
Uma das enfermeiras levou uma cópia para Melbourne ... 
O único legado deste velho homem para a posteridade já apareceu nas edições de Natal de revistas em todo o país e figura nas revistas de Saúde Mental. Uma apresentação de slides também foi feita com base no seu simples mas eloquente poema. 
E esse velho homem, com nada para dar ao mundo, é agora o autor deste poema "anónimo" que circula por toda a "net".


 VELHO RANZINZA...
O que vêem vocês enfermeiras?... O que vêem vocês?
O que pensam vocês quando estão a olhar para mim?
Um homem tonto,... não muito sábio,
Habitualmente incerto… de olhar distante?
Que se suja com a comida... e que não faz qualquer comentário,
Quando você diz em voz alta... “Eu gostaria que você tentasse!”
Parece que não percebe... as coisas que você faz.
E que está sempre a perder... uma meia ou um sapato?
Que, resistindo ou não... a deixa fazer o que quiser,
E apenas com um banho e a alimentação... para preencher um dia inteiro?
É nisso que está a pensar?... É isso o que você vê?
Então abra os olhos, enfermeira... você não está a olhar para mim.
Eu vou lhe dizer quem eu sou ... enquanto permaneço sossegado, aqui sentado
À medida que ajo ao seu comando,... e como à sua vontade.
Eu sou uma criancinha de dez anos... com um pai e uma mãe,
Irmãos e irmãs... que se amam.
Um jovem de dezesseis... com asas nos pés,
Sonhando que muito em breve... uma namorada, ele vai encontrar.
Aos vinte, rapidamente, um noivo... o meu coração dá um salto
Lembrando os votos... que eu prometi respeitar.
Agora aos vinte e cinco... tenho os meus filhos,
Que precisam de mim para os guiar... e um lar seguro e feliz.
Um homem de trinta... os meus filhos estão a crescer rapidamente,
Ligados um ao outro... com os laços que devem durar.
Aos quarenta, os meus jovens filhos... cresceram e partiram,
Mas a minha mulher está ao meu lado... para ver que eu não me lamento.
Aos cinquenta anos, mais uma vez,... bebês brincam sobre os meus joelhos,
Conhecemos de novo, crianças... a minha amada e eu.
Dias sombrios caem sobre mim... a minha mulher agora está morta.
Eu olho para o futuro... e eu tremo de pavor.
Porque os meus filhos estão todos criando... os seus próprios filhos.
E eu penso naqueles anos... e no amor que eu conheci.
Agora eu sou um velho homem... e a natureza é cruel.
É um gracejo fazer a velhice... parecer uma tolice.
O corpo desintegra-se... a graça e o vigor desaparecem.
Existe agora uma pedra... onde um dia, eu tive um coração.
Mas dentro desta velha carcaça... ainda habita um homem novo.
E volta e meia... o meu coração maltratado incha.
Eu lembro-me das alegrias... eu lembro-me do sofrimento.
E eu estou a amar e a viver... a vida de novo.
Eu penso nos anos, todos muito curtos... que desapareceram num instante.
E aceito o facto gritante... de que nada dura.
Por isso, abram os olhos, gente... abram e vejam.
Não um velho tonto.
Olhem bem e... vejam ..EU!

Keith A. Wells Sr.


Lembrem-se deste poema, da próxima vez que se cruzarem com uma pessoa idosa, a qual poderão ignorar, sem ver a alma jovem dentro dela ... 

Um dia, vamos todos, ser idosos, também! 

"As coisas melhores e mais bonitas deste mundo não podem ser vistas ou tocadas. Elas devem ser sentidas pelo coração!"

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Ensinando as crianças a odiar o/a Ex



O grande novelista vitoriano Charles Dickens foi duplamente traumatizado na sua juventude por um pai irresponsável e por um sistema social cruel com pouca valorização da psique frágil das crianças.

A experiência de Dickens, espiritualmente marcante, aos 12 anos, numa fábrica de calçados, forneceu-lhe uma cornucópia criativa de inspiração para seus romances, em que ele exaltava muita empatia pelo alter-ego dos seus filhos ficcionados. No entanto, como Robert Gottlieb escreve em seu novo livro, “Great Expectations: The Sons and Daughters of Charles Dickens ” o autor pode ser cruel na sua vida pessoal. E aqueles mais próximos a ele, acompanharam as suas próprias cicatrizes como resultado.

Quando o último filho de Dickens, o mais jovem de uma grande prole, tinha seis anos de idade, Dickens, que tinha caído de amores pela atriz Ellen Ternan, expulsou a sua esposa Catherine da sua vida, e exigiu que seus filhos fizessem o mesmo. Ele justificou sua brutalidade contra sua esposa com alegações de que Catherine era uma mãe sem amor – não é verdade – e que as crianças não a amavam – uma mentira muito mais perniciosa.

Este comportamento emocional e grotesco – incitar as crianças a odiar o outro progenitor – é uma forma de alienação que não tinha um nome, em 1850. Mas hoje, é bem compreendido por especialistas, bem como por aqueles que têm a infelicidade de serem o progenitor-alvo, como a Catherine Dickens. O termo usado para descrever o fenómeno, uma vez que afeta as crianças, é a Síndrome de Alienação Parental (SAP).

Graças à quinta edição do American Psychiatric Association’s Diagnostical and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5), lançado na semana passada, a SAP é agora quase reconhecida como uma perturbação oficial. Digo “quase” porque essas exatas palavras não estão no DSM-5 (esta foi uma decisão deliberada e muito discutida). No entanto, a nova categoria mais ampla de “abuso psicológico da criança” é definida como “atos verbais ou simbólicos não acidentais por progenitores ou responsáveis por uma criança, que resultam, ou têm potencial razoável para resultar, em danos psicológicos significativos para a criança.”

Sob essa rubrica, encontra-se a descrição dos sintomas dos “problemas relacionais progenitor-filho/a“. Por exemplo, a percepção da criança de um progenitor alienado “podem incluir atribuições negativas das intenções do outro, a hostilidade ou bode expiatório do outro e sentimentos indevidos de alienação“.

A SAP foi teorizada pelo falecido psicólogo Richard Gardner, em 1985. Ele refere-se a uma “perturbação em que as crianças estão obcecadas com a desaprovação e crítica de um dos progenitores – depreciação esta que é injustificada e/ou exagerada”

SAP não tem nada em comum com a alienação moderada que pode acompanhar todo o divórcio com um nível de conflito elevado (“É possível o teu pai vir a horas para variar?“). Em vez disso, a criança vítima de SAP é submetida a uma campanha calculada e sem fundamento de incitamento ao ódio do progenitor alvo. Progenitores alienantes estão tão consumidos com raiva no progenitor alvo que a sua raiva sempre triunfa sobre bem-estar mental da criança.

A criança deve ter uma coragem extraordinária e força de caráter para resistir a tal propaganda de ódio. Como Gottlieb observa em Dickens: “Qualquer um que tentou argumentar com [o autor], ou defender a [sua esposa] Catherine, foi expulso para a escuridão absoluta, para nunca mais ser perdoado“.

Em tempos mais modernos, a ex-modelo e jornalista Pamela Richardson, em seu livro de 2006, “A Kidnapped Mind“, retrata-nos uma angustiante deterioração psicológica do seu filho alienado que, após 10 anos de uma impiedosa de campanha, realizada pelo seu pai para “desaparecer” com ela da vida do menino, atirou-se da ponte de Vancouver Granville Street, em 2001.

Falei com Bill Bernet, professor emérito de psiquiatria da Universidade de Vanderbilt, que é especialista em efeitos do divórcio e guarda sobre as crianças, e que foi o principal defensor da inclusão da SAP no DSM. Ele disse-me: “Mesmo que ele não vá tão longe quanto esperávamos, eu estou muito feliz que esta nova terminologia esteja no DSM-5“.

Professor Bernet lidera o Grupo de Estudos sobre a Alienação Parental, cujos membros se dedicam a formar médicos, assistentes sociais e outros profissionais da linha de frente, de modo a que estes possam reconhecer a doença nas suas características invariáveis ​​e desenvolver estratégias para a combater. O efeito da inclusão no DSM irá, esperançosamente, auxiliar os tribunais de família, permitindo aos juízes adquirir familiaridade com a Síndrome e tomar decisões céleres para proteger a criança do progenitor alienador.

A maioria das crianças vai continuar a amar seus progenitores, apesar de abuso pela SAP. Na verdade, é extremamente difícil para uma criança parar de amar um progenitor. Aqueles que o fazem geralmente têm vergonha de admitir isso. Uma criança que tem orgulho em odiar um dos progenitores é  provavelmente uma criança que sofre com a SAP.

Se os vitorianos soubesse o que sabemos hoje, Dickens poderia não ter escapado com o comportamento insensível para com a sua sofredora esposa e para com as crianças que nada fizeram para o merecer. Esperemos que os esclarecimentos sobre esta doença ajudem a levar a SAP para o caixote do lixo da história.





terça-feira, 23 de julho de 2013

POEMA XXI

Se eu pudesse trincar a terra toda 
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento.

Mas eu nem sempre quero ser feliz. 

É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja.

Alberto Caeiro
in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXI




domingo, 23 de junho de 2013

Para lá das estrelas

Quando as noites me rodeiam, vem-me à memória aquele dia em que te abracei na estação dos comboios e te vi partir na direcção do carro que te aguardava.
Sabes filho, a dor que me descia pelo centro do peito ainda se mantém. Não te sei explicar, apenas sei que essa imagem todos os dias me desgasta e que deveria de ser apenas um sonho e nunca, mas nunca um pesadelo.
Te amo para lá das estrelas meu querido filho.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Estações alciónias, solstício dos meus dias ...


Estações alciónias,
solstício dos meus dias ...

Longe de embelezar, à distância,
a minha felicidade,
devo lutar para lhe não turvar a imagem;
a sua própria recordação
é hoje demasiado forte para mim.

Mais sincero que a maioria dos homens,
confesso sem rodeios
as causas secretas dessa felicidade:
aquela calma tão propícia aos trabalhos
e às disciplinas
parece-me um dos mais belos efeitos
do amor.

E espanto-me
de que estas alegrias tão precárias,
tão raramente perfeitas no decorrer de uma vida humana,
sob qualquer aspecto
além de que nós os tenhamos procurado
e recebido,
sejam consideradas com tanta desconfiança
por pretendidos sábios,
que eles receiem o seu hábito e excesso
em vez de temer a sua falta e perda,
que passem a tiranizar os sentidos
um tempo que seria mais bem empregado
a ordenar ou a embelezar a alma.

Naquela época
punha em fortalecer a minha felicidade, apreciá-la,
e também em julgá-la,
a atenção que sempre dispensara aos mais pequenos pormenores
dos meus actos;
e que é a própria voluptuosidade
senão um momento de atenção apaixonada do corpo?

Toda a felicidade é uma obra-prima:
o menor erro falseia-a,
a menor hesitação altera-a,
a menor deselegância desfeia-a,
a menor estupidez embrutece-a.

A minha
não é responsável em coisa alguma por aquelas
das minhas imprudências
que mais tarde a quebraram.

Julgo ainda
que teria sido possível a um homem mais hábil que eu
ser feliz até à morte.

marguerite yourcenar
memórias de adriano

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Quem Não Quer Ser Lobo...

Algures na Net:

So... fuch it all

Tens toda a razão, de maneira alguma os palavrões te fazem menos inteligente e até há quem diga que no momento certo os palavrões são uma 'libertação', aliviam o stress e estudos recentes garantem que fazem baixar a tensão arterial.
Mas, quem te viu e quem te vê, quanto esses mesmos palavrões eram utilizados pela minha pessoa, só demonstravam ( de acordo com as tuas análises) que eu era de 'baixa formação', 'rude', grosseiro', 'mal-educado', 'arrogante' e nem o facto de serem utilizados no mesmo contexto que o teu, te levou a ponderar no julgamento que me fizeste em datas recentes. "Pela Boca Morre O Peixe", verdade difícil de ultrapassar. Não te fazem menos inteligente os palavrões, mas de acordo com o nosso historial, te fazem mais parva, mas tens todo o direito ao palavrão.
       
Todos tem direito ao palavrão.

Já dizia o meu Avô Alberto: "Quem Não Quer Ser Lobo, Não Lhe Veste A Pele" e já agora:
So...fuck you all too.
 
                           

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Que Descanse em Paz


Faleceu ontem a pessoa que atrapalhava sua vida...

Um dia, quando os funcionários chegaram para trabalhar, encontraram na portaria um cartaz enorme, no qual estava escrito:

"Faleceu ontem a pessoa que atrapalhava a sua vida na Empresa. Você está convidado para o velório no Salão de Festas".

No início, todos se entristeceram com a morte de alguém, mas depois de algum tempo, ficaram curiosos para saber quem estava atrapalhando as suas vidas e bloqueando seu crescimento na empresa. A agitação na entrada para o Salão de Festas era tão grande, que foi preciso chamar os seguranças para organizar a fila do velório. Conforme as pessoas iam se aproximando do caixão, a excitação aumentava:

- Quem será que estava atrapalhando o nosso progresso ?
- Ainda bem que esse infeliz morreu !

Um a um, os funcionários, agitados, se aproximavam do caixão, olhavam pelo visor do caixão a fim de reconhecerem o defunto, engoliam em seco e saiam de cabeça abaixada, sem nada falar uns com os outros. Ficavam no mais absoluto silêncio, como se tivessem sido atingidos no fundo da alma e dirigiam-se para suas salas. Todos, muito curiosos mantinham-se na fila até chegar a sua vez de verificar quem estava no caixão e que tinha atrapalhado tanto a vida de cada um deles.

A pergunta ecoava na mente de todos: "Quem está nesse caixão"?

No visor do caixão havia um espelho e cada um se via a si mesmo... Só existe uma pessoa capaz de limitar seu crescimento: VOCÊ MESMO! Você é a única pessoa que pode fazer a revolução de sua vida. Você é a única pessoa que pode prejudicar a sua vida. Você é a única pessoa que pode ajudar a si mesmo. "SUA VIDA NÃO MUDA QUANDO SEU CHEFE MUDA, QUANDO SUA EMPRESA MUDA, QUANDO SEUS PAIS MUDAM, QUANDO SEU  NAMORADO  MUDA. SUA VIDA MUDA... QUANDO VOCÊ MUDA! VOCÊ É A ÚNICA RESPONSÁVEL POR ELA."

O mundo é como um espelho que devolve cada pessoa no reflexo de seus próprios pensamentos e seus actos. A maneira como você encara a vida é que faz toda diferença. A vida muda, quando "você muda".

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Haja O Que Houver


...e enquanto me apunhalavas pelas costas enviavas-me como mensagem esta música:
-    
...claro que te apercebeste de que não acreditei em ti. Será que alguma vez acreditei?

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Se Eu Morrer Novo




Se eu morrer novo,
sem poder publicar livro nenhum
Sem ver a cara que têm os meus versos em letra impressa,
Peço que, se se quiserem ralar por minha causa,
Que não se ralem.
Se assim aconteceu, assim está certo.

Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos,
Eles lá terão a sua beleza, se forem belos.
Mas eles não podem ser belos e ficar por imprimir,
Porque as raízes podem estar debaixo da terra
Mas as flores florescem ao ar livre e à vista.
Tem que ser assim por força. Nada o pode impedir.

Se eu morrer muito novo, oiçam isto:
Nunca fui senão uma criança que brincava.
Fui gentio como o sol e a água,
De uma religião universal que só os homens não têm.
Fui feliz porque não pedi cousa nenhuma,
Nem procurei achar nada,
Nem achei que houvesse mais explicação
Que a palavra explicação não ter sentido nenhum.

Não desejei senão estar ao sol ou à chuva -
Ao sol quando havia sol
E à chuva quando estava chovendo
(E nunca a outra cousa),
Sentir calor e frio e vento,
E não ir mais longe.

Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela unica grande razão -
Porque não tinha que ser.

Consolei-me voltando ao sol e a chuva,
E sentando-me outra vez a porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraido.

Alberto Caeiro,  in "Poemas Inconjuntos" 
Heterónimo de Fernando Pessoa

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Vende-se...

"... argumento da história da minha vida, só não sei como o classificar. Será drama, ficção ou comédia?"
(Parte de uma frase publicada num site dito Social)
       
Creio que o conceito se iniciou no Brasil. Retenho na memória de que uma série, creio ser esse o nome, que passava em Portugal cujo episódio de cerca de uma hora tinha como opção dois ou três finais.
Claro que a coisa era comercial mas tinha o seu atractivo de através de um número de telefone o espectador  decidir de como acabaria a história entre duas ou três opções que lhe eram facultadas pela realização.
 Se inicialmente a história não passava de um drama o espectador poderia decidir tornar-se numa comédia tudo dependia da opção final.

       Como opção de vida, creio não estar longe da realidade e os brasileiros souberam tirar partido da coisa. A nossa vida ou pelo menos a maior parte dela dependerá de decisões por nós tomadas. Se optarmos por destruir nossos caminhos perante as primeiras dificuldades surgidas, é uma opção.
Se decidirmos destruir vidas terceiras só para nos safarmos, é outra opção.
Se para 'sermos' felizes na nossa vida destruímos outras felicidades, não deixa de ser outra opção e por aí fora.
Comédia? Drama? Ficção? Creio que essa definição só ocorrerá depois de assumirmos nossas decisões.
Chegados aí, muito dificilmente conseguimos uma definição. Raramente aceitamos nossas responsabilidades
e vai daí será muito mais fácil optarmos por responsabilizar-mos o parceiro do lado.
Claro que fica difícil definir o argumento da nossa vida, embora eu tenha uma opinião muito, digamos, ortodoxa.
      Se optarmos pensar com o Pénis ou a Vagina em lugar do cérebro, creio que a definição mais correta para definir o argumento será: "Porno-Chachada".



                                   

domingo, 30 de dezembro de 2012

CÂNTICO NEGRO


"Vem por aqui" dizem-me alguns com olhos doces,    
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
Sei que não vou por aí.

José Régio

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Quando fores velha




Quando já fores velha, e grisalha, e com sono,
Pega este livro: junto ao fogo, a cabecear,
Lê com calma; e com os olhos de profundas sombras
Sonha, sonha com o teu antigo e suave olhar.

Muitos amaram-te horas de alegria e graça,
Com amor sincero ou falso amaram-te a beleza;
Só um, amando-te a alma peregrina em ti,
De teu rosto a mudar amou cada tristeza.

E curvando-te junto à grade incandescente,
Murmura com amargura como o amor fugiu
E caminhou montanha acima, a subir sempre,
E o rosto em multidão de estrelas encobriu.

William Yeats

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Minha cabeça estremece


Se eu quisesse, enlouquecia.
Sei uma quantidade de histórias terríveis.
Vi muita coisa, contaram-me casos extraordinários, eu próprio...

Foi assim que iniciei um artigo qualquer, a memória é curta e apenas retenho o essencial.
A primeira vez  que tive um embate com a poesia e a prosa de Herberto Hélder foi através de um Grande
Amigo, Fernando Alves, numas águas furtadas algures em Santarém aos microfones (coisa bonita) de uma
Rádio Livre, já lá vão um horror de anos.
Há um aperto no peito quando recordo estas coisas, mas adiante.
Sempre que a vida me confrontou com uma certa realidade, utilizei essa aprendizagem no meu quotidiano.
Numa dessa ocasiões  peguei no Passos em Volta de Herberto Hélder e atirei:

"Se eu quisesse, enlouquecia.
Sei uma quantidade de histórias terríveis.
Vi muita coisa, contaram-me casos extraordinários, eu próprio...
Enfim, às vezes já não consigo arrumar tudo isso.
Porque, sabe?, acorda-se às quatro da manhã num quarto vazio, acende-se um cigarro... Está a ver?
A pequena luz do fósforo levanta de repente a massa das sombras, a camisa caindo sobre a cadeira ganha um volume impossível, a nossa vida... compreende?... a nossa vida, a vida inteira, está ali como... como um acontecimento excessivo...
Tem de se arrumar muito depressa.
Há felizmente o estilo.
Não calcula o que seja?
Vejamos: o estilo é um modo subtil de transferir a confusão e violência da vida para o plano mental de uma unidade de significação.
Faço-me entender?
Não?
Bem, não aguentamos a desordem estuporada da vida".

Ui! O que fiz eu, quase espumando aos cantos da boca e com o olhar flamejando 'disparando' sem contemplação em todas as direcções, questionou-me.

-O que sabes tu? Vá diz-me, diz-me lá quais são essas histórias terríveis que tu sabes!!!
-Mas ó mulher estou apenas citando um poema de Herberto Hélder ( e apressadamente retiro o livro da estante, abro), está aqui, repara.
- Após uns segundos de um angustiante silêncio (tempo para ela conferir a obra), voltam de novo os disparos.
-Tu sabes muito, estás convencido que me iludes.
-?????????

Desnecessário será dizer que foi ela que me contou histórias terríveis e meu mundo desabou mais um pouco com aquela sensação estranha de que o filme se repetia tal como Milan Kundera o entendeu na 'Insustentável Leveza do Ser'.

Ainda agora, quando me vem à memória essa noite, minha cabeça estremece.



terça-feira, 27 de novembro de 2012

O Homem é um cadáver adiado (Fernando Pessoa)

Hoje, talvez seja um dia especial. Uns nascem outros morrem mas tu estás viva. Pelo menos esse coração bate e irriga-te o cérebro, logo permite que penses e analises. Nem tudo o que parece é e estás no tempo de pensar em que mais alguém precisa de ti. Mas de uma vez por todas precisas de saber o teu lugar, de onde vieste, para onde vais. Alguém disse: "O que determinou o que estamos hoje a viver foram as nossas escolhas e serão elas também o que irão determinar o que vamos viver amanhã." - Ora aqui está uma frase
digamos, 'sensata', embora incompleta. É que às vezes escolhemos mal sem nos apercebermos e tomamos opções influenciados pelas aparências já que sempre se disse que a vista é a primeira a 'comer'. Bom, isso pouco importa agora, vive e não esqueças que tens quem de ti depende. Que tenhas um grande dia e que o futuro seja aquilo que tu queiras. A Humildade tem de ter sempre lugar no teu coração. Parabéns. Diverte-te.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

VIVER


"Construir, todos os dias, incansavelmente, demencialmente, momentos inesquecíveis: isso sim vale a pena. Sê um construtor de momentos inesquecíveis, de momentos que vais querer, tal como quiseste vivê-los, recordar. Momentos que vais querer recordar incansavelmente, demencialmente. Sê um criador que nunca se cansa de construir momentos que vai querer recordar."
(Pedro Chagas Freitas, "Eu Sou Deus")

Fazer da vida uma festa, um banquete permanente. Eis o que os mercados e os governos nos querem impedir de fazer. Gozar a vida na leitura, no conhecimento, na arte, no prazer. Não ser o homem das meias-medidas, o meio-homem, a meia-mulher. Viver intensamente o instante. Viver é "nascer todos os dias, de novo. Consiste em ver tudo de novo", em fazer tudo de novo, em ser todos os dias "virgem de felicidade, criança de exaltação, bebé de euforia", como diz Pedro Chagas Freitas. Não é andar todo o dia a contar os trocos, a fazer contas. Viver é excesso mas também contemplação. Não é andar trabalho-casa, casa-trabalho, não é estar às ordens do governo, da polícia, da Merkel, dos mercados. Viver definitivamente é não estar às ordens de ninguém. Viver é andar sem Deus nem amos, como dizem os anarquistas. Não é certamente andar em função da televisão, do telejornal, do futebol, das telenovelas. Viver é desfrutar a vida. Quer através do saber, quer através do próprio querer, da vontade. Viver é sermos reis e senhores da vida. E eu conheci poetas vadios, sem-abrigo que o eram. Não são necessárias fortunas. Aliás, o dinheiro a partir de determinado nível só traz escravidão, dependência. Viver é certamente dar e receber amor e ser livre. É isso que somos. É isso que podemos ser. Não escravos disto e daquilo. Não subservientes em relação a este e àquele. Livres, soberanos, sonhadores. Donos da vida. Construtores de momentos inesquecíveis, criadores de vida. Eis porque estamos aqui, eis porque usamos a palavra. Ninguém nos vai roubar isto.

ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO