"SEI QUE NADA SEI, NO ENTANTO SEI, QUE ENQUANTO VIVER COMBATEREI COM TUDO O
QUE ESTIVER AO MEU ALCANCE, TODOS OS QUE COMETEM ALIENAÇÃO PARENTAL"

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Mentirosa...

eu gosto
de pegar voce de surpresa
no corredor
na cozinha
na mesa
e voce fingir que rejeita
mas aos poucos cede
se ajeita
finge que me empurra
me puxa
me pede
me abraça
me implora
de olhos arregalados
como quem me devora
com fome
com sede
me aperta o corpo
contra a parede
treme
chora
se arrepia
se molha
pôe as mãos no meu rosto
faz uma cara de séria
me olha
como se fosse dentro da minha alma
como se fosse a ultima coisa a fazer
me beija a boca de leve
e numa voz bem calma
me diz que só eu
faço assim com voce

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Puta de Vida

Quando sinto ao longe seu cheiro              
Como um cão, apresso-me, acelero.
É linda minha visão!

Você ali tão branquinha
A esperar por mim,
Vestida como noivinha

“Quero você todinha!” Ilusão.     
Porém num momento único,
Sua doçura é só minha,
Mas sei que outros virão.

in blog do J. Machado

sábado, 21 de novembro de 2009

CONTRAMÃO



Vou andar Sozinha pela rua
Vou andar e
Vou chamar-me "Tua"
Vou andar
Nua sem vestir o medo
De te amar.
*
Vou andar
Esse caminho longo
Que me leva
A percorrer o teu corpo
E não vou correr
Para nunca te perder
Desse caminho.
*
Vou andar
E nunca vou correr
Para não te perder
Não te perder...
*
Vou andar
No vento da Marginal
Vou andar e
Vou sentir-me igual
Àqueles que andam
Pelas ruas e estradas em contramão
Contra o medo...
*
Vou andar
E nunca vou correr
Para não te perder
Não te perder...
*
Vou andar
Sozinha pela rua
Vou andar e
Vou chamar-me "Tua"
Vou andar
Nua sem vestir o medo
De te amar...

CAVALO À SOLTA



Minha laranja amarga e doce
Meu poema feito de gomos de saudade
Minha pena pesada e leve
Secreta e pura
Minha passagem para o breve
Breve instante da loucura
Minha ousadia, meu galope, minha rédea,
Meu potro doido, minha chama,
Minha réstia de luz intensa, de voz aberta
Minha denúncia do que pensa
Do que sente a gente certa
Em ti respiro, em ti eu provo
Por ti consigo esta força que de novo
Em ti persigo, em ti percorro
Cavalo à solta pela margem do teu corpo
Minha alegria, minha amargura,
Minha coragem de correr contra a ternura
Minha laranja amarga e doce
Minha espada, meu poema feito de dois gumes
Tudo ou nada
Por ti renego, por ti aceito
Este corcel que não sossego
À desfilada no meu peito
Por isso digo canção castigo
Amêndoa, travo, corpo, alma
Amante, amigo
Por isso canto, por isso digo
Alpendre, casa, cama, arca do meu trigo
Minha alegria, minha amargura
Minha coragem de correr contra a ternura
Minha ousadia, minha aventura
Minha coragem de correr contra a ternura

Laurinda, linda, linda...

Era de noite quando eu bati à tua porta,
e, na escuridão da tua casa,
tu vieste abrir,
e não me conheceste.
Era de noite - foram mil e uma,
as noites em que bati à tua porta,
e tu vieste abrir,
e não me reconheceste,
porque eu jamais bati à tua porta.
Contudo, quando eu bati à tua porta
e tu vieste abrir,
os teus olhos,
de repente,
viram-me pela primeira vez -
como sempre de cada vez é a primeira,
a derradeira instância do momento
de eu surgir e tu veres-me.
Era de noite,
quando eu bati à tua porta
e tu vieste abrir e viste-me,
como um náufrago
sussurrando qualquer coisa que ninguém compreendeu.
Mas era de noite,
e por isso tu soubeste que era eu,
e vieste abrir-te,
na escuridão da tua casa.
Ah!...Era de noite,
e, de súbito, tudo era apenas lábios,
pálpebras, intumescências,
cobrindo o corpo de flutuantes volteios,
de palpitações trémulas adejando pelo rosto.
Beijava os teus olhos,
por dentro beijava os teus olhos pensados,
beijava-te pensando,
e estendia a mão sobre o meu pensamento.
Corria para ti,
minha praia jamais alcançada,
impossibilidade desejada
de apenas poder pensar-te.
São mil e umas as noites
em que não bati à tua porta
e vieste abrir.
Ana Hatherly, in "Um Calculador de Improbabilidades" (Adaptado)

O Senhor Pode Conferir

Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga … que insiste em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um pouco usado, meio calejado, muito machucado e que teima em alimentar sonhos, e cultivar ilusões.
Um pouco inconsequente que nunca desiste de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração que acha que Tim Maia estava certo quando escreveu... "não quero dinheiro, eu quero amor sincero, é isso que eu espero...".
Um idealista... Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende. Que não endurece, e mantém sempre viva a esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Rifa-se um coração tão inocente que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas: " O Senhor pode conferir", eu fiz tudo certo, só errei quando coloquei sentimento.



Clarice Lispector

Compreender que somos passíveis de errar, que não precisamos ter todas as respostas, tem sido um dos maiores desafios para pessoas.A reflexão sobre nossa humanidade, quando confrontada com o desejo de sermos eternos, é o tema central desse vídeo.

Ao Amor Por Tudo E Por Nada

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Ó Mar Leva Tudo O Que A Vida Me Deu...

Caminho ao longo do cais,embora a distância entre mim e a água seja longa, sinto o frio que dela se desprende e me começa a envolver qual manto gelado e pérfido que me anuncia a morte.Olho a escuridão e reparo no nevoeiro que me acompanha os passos, estou totalmente envolvido por ele, sinto um arrepio enorme e vem-me à memória as histórias da minha infância, quando o nevoeiro nos envolve assim, podemos atravessar uma porta e passar a outra dimensão,tiro as mãos dos bolsos e entrelaço meus dedos na rede que me separa das águas negras do rio que se transformou num Mar diabólico,pela face, o sal de minhas lágrimas tocam meus lábios e na minha mente vejo meu filho a sorrir, minhas filhas a conversarem animadamente e minha amada a voltar-me as costas. Entre a rede que me molha as mãos e a parede da estação dos caminhos de ferro uma correria de carros a caminho da grande farra, olham este miserável que quase se ajoelha e comentam "olha outro janado a curtir uma de cavalo branco"; Em frente da porta principal da estação chega uma carrinha que diz "Exército de Salvação" e começa a distribuir sandes e agasalhos aos sem abrigo que procuram as arcadas do pórtico para se abrigarem da noite, com meus olhos inundados de lágrimas olho os meus futuros companheiros e sinto-me em casa, se a coragem não chegar entretanto, irei engrossar aquele grupo e partilhar com eles aquela doce companheira que nos seca de amargura e dor,a solidão.Olho o rio tão negro, tão negro que dou comigo a falar para a escuridão: Vem Satanás podes levar-me quando e como quiseres mas terás de comer muita merda mas mesmo muita merda e mesmo assim não sei se conseguirás tirar minha alma que fica com aqueles que amo, até ao fim dos tempos, filho da puta, miserável, leva-me contigo para ambos ardermos no fogo do inferno, minha carne pode ser tua, mas meu espírito estará com os que amo e que Deus tenha compaixão por este miserável.Caminho mais para norte sento-me numa paragem de autocarro e de novo choro pela puta da minha vida. Mãe, leva-me para junto de ti, não tenho ninguém Mãe,porque esperas Mãezinha. Nunca na minha curta existência me senti tão impotente, tão só, tão desprezado,tão abandonado.Mãe, eu não quero "desnascer" agora só quero é ficar contigo, teus netos ficam bem, tem uma grande Mãe, eu estou a mais, leva-me Mãe, estou tão cansado.
A noite está cheia de gente estranha, gente que se exibe para encontrar um antídoto contra a solidão, gente que sofre,gente que se vende, gente que apodrece e gente que procura o vazio porque caiu no abismo mais tenebroso de nossos dias, a miséria.
Quero ficar, entre os miseráveis e em simultâneo quero ir embora, para onde?
O comboio embala-me e sonho,sonho acordado, a terra corre agora atrás de mim,gente feliz sem lágrimas, corpos tão enlaçados, corpos que se juntam e acariciam,mãos que afagam recantos, Linda, quando eu morrer, veste a tua mais aguerrida saia, Linda. Se eu morrer no Mar, fica na praia, Linda, não chores,deixa a tua beleza iluminar o meu caminho.Trago na minha carteira uma foto que me deste onde dizes que não te gostas de ver, foi sempre assim, as fotos de que não gostavas,oferecias-me. As mais lindas estão no Facebook, no hi5, sei lá que mais. Tudo isto é muito estranho Linda, coleccionas amigos como colecciono selos, exibes tua magia perante gente tão estranha e desprezas o Mago do teu coração, que vivas mil anos, Querida,que te sintas adolescente e te exibas ao Mundo até sucumbires de luxúria, mas nunca terás de novo aquele que bebeu o teu corpo,aquele que se deitou em ti como o Mar se deita na areia,aquele que em ti se deleitou como o vento se deleita nas searas loiras.Vida da minha vida,escuta os conselhos do mundo, não escutes mais teu coração,não desfiras mais punhais no corpo que entrou em ti, como o sopro da vida entra no recém-nascido, não abras mais chagas no corpo miserável, cujo maior defeito foi, simplesmente, AMAR-TE.
Estranho, muito estranho, nunca gritei tanto e tão alto como agora, meu grito é tão intenso que até Deus, se afastou incomodado, mas tu agora não reclamas, já não te incomoda meus gritos? Ainda bem,olho-te em silêncio e o céu chora comigo, livra-me Senhor deste céu que desmaia comigo.
Há pouco, perguntas-te "Queres vir dormir para aqui?"
Dava tudo, mulher, tudo, para me perder entre os teus seios, dava tudo para entrar em ti e sentir teus gemidos de prazer e felicidade, dava tudo para morrer entre teus braços mas é pedir demais, meu lugar é entre "os miseráveis",esta guerra já a perdi há muito,que toda a felicidade de Deus te acompanhe e cuida dos nossos filhos, agora mais que nunca, ambos dependem de ti Mulher.
Desperta para a realidade que é esta vida,dura,cheia de abutres que num ápice não hesitarão em te devorar com muita dor e sem misericórdia.
Agora tenho todo o direito de sonhar contigo, de me deleitar em teus braços, beber teu corpo e adormecer entre os teus seios, antes de ser miserável fui o Guardião da tua Alma.
Que continue este pesadelo.

AMOR...pulsar do meu coração


São quase 6 horas da manhã, aqui estou eu, sem sono, sentindo um frio interior que quase me gela o sangue, me coloca tremendo.
Senti-me uma vez assim há muitos anos e fiz tudo, tudo o que estava ao meu alcance para não passar pelo mesmo. Seria muito fácil dizer agora "Maldita a hora em que me apaixonei por ti, maldita a hora em que fui atrás do teu sorriso", não posso e nem consigo dizê-lo.Não consigo como tu, fazer com um simples clik!,desligou pronto. Pego uma cerveja, custa a beber, todos os acessos ao meu interior estão congestionados de dor, de uma profunda dor que me consome totalmente, estou prisioneiro de mim mesmo, preciso de ar, sufoco, porque há gente que para ir em frente tem de pisar o semelhante? Qual verme repugnante. Luto segundo a segundo com esta dualidade de ansiedade, de tristeza e vou definhando. Quero ir embora, rápido, preciso ir embora, pé na estrada atravessando a savana do meu fim, mas preciso de ficar mais um pouco, ele é o mais novo, estive tão pouco tempo contigo FILHO, ainda és tão pequenino, eu preciso de mais um pouco de ti querido. As minhas filhas que me perdoem, são mulheres são adultas, ele é o meu gajinho, prometi-lhe que um dia íamos à pesca, há tanta coisa para nós fazermos meu filho, minha luz. Os teus primeiros anos estive contigo tão pouco tempo, querido, só aos fins-de-semana, o pai trabalhava longe, como tu sabes queria agora recuperar esse tempo maldito em que mais valia ter também ficado ao teu lado, mas alguém tinha de trabalhar e agora dizem-me que meu dinheiro não serviu para nada. E eu que pensava que meu gesto era nobre, trabalhar mais longe para ganhar mais. Sabes querido eu já não quero saber do que dizem só peço que quando te forem buscar à escola te tragam para junto do teu pai e não só à noite. Não percebo o ódio que libertei filho para estarem constantemente a afastarem-te de mim. Sabes querido tal como te disse, daqui a uns anos alguém vai contar a verdadeira história do teu pai, não é para te colocares contra, seja quem for, será apenas para perceberes que o pai só queria deixá-los a todos vós melhor, falhei, querido filho. Por tanto querer, tanto perdi. Tanto sofro. Não deveria ser assim.

Puro amor de minha alma
Estrela linda e brilhante
De rostinho fascinante
Razão desse meu viver
Orgulho, carinho...bem querer                         

És toda a felicidade
Na minha vida meu filho
Razão de todo amor
Iluminando meus dias
Que Deus te abençoe para sempre
Meu anjo em forma de gente
Eu te amarei eternamente.

Suave riso inocente
Infinita admiração
Luz divina e reluzente
Tu meu filho querido
Amor...pulsar do meu coração

Enquanto ouvia a Maria Bethânea cantar Fernando Pessoa, encontrei este poema na NET, mexi um pouco nele e aí está para ti, meu querido. Sabes, filho, o pai nunca teve muito jeito para a poesia essa coisa dos poetas e dos líricos. Nunca tive muito jeito para ornamentos, bem, ou não tive jeito ou não tive tempo. O pai fazia milhares de quilómetros por mês para ganhar um pouco de pão, lembras-te filho, ainda há dias perguntaste-me quando é que íamos ao Porto porque era uma cidade que gostavas muito. Sei filhote porque gostas tanto do Porto, terra de boa gente, terra que me deu pão e brinquedos para ti, mas acho que é um pouco rude, assim como o pai, o melhor é procurar-mos aquela terra no fim do arco-íris, ai! como se chama, aquela de Homero, ai! aquela que tem rios de pétalas, vulcões de insenço e muitas flores de jasmim. Deixa lá filho o poeta é um fingidor e eu um estupor, esquece MEU FILHO. Um destes dias vamos à loja dos brinquedos talvez a gente encontre o Poeta para nos ensinar poesia. Poesia da boa para nós só o melhor. Amar como vos amo a todos não é poesia porque sou rude; Calcorrear léguas para recolher o pão e a água não é poesia é aspereza. Porque é que não nasci poeta, mãe?