"SEI QUE NADA SEI, NO ENTANTO SEI, QUE ENQUANTO VIVER COMBATEREI COM TUDO O
QUE ESTIVER AO MEU ALCANCE, TODOS OS QUE COMETEM ALIENAÇÃO PARENTAL"

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

AMOR...pulsar do meu coração


São quase 6 horas da manhã, aqui estou eu, sem sono, sentindo um frio interior que quase me gela o sangue, me coloca tremendo.
Senti-me uma vez assim há muitos anos e fiz tudo, tudo o que estava ao meu alcance para não passar pelo mesmo. Seria muito fácil dizer agora "Maldita a hora em que me apaixonei por ti, maldita a hora em que fui atrás do teu sorriso", não posso e nem consigo dizê-lo.Não consigo como tu, fazer com um simples clik!,desligou pronto. Pego uma cerveja, custa a beber, todos os acessos ao meu interior estão congestionados de dor, de uma profunda dor que me consome totalmente, estou prisioneiro de mim mesmo, preciso de ar, sufoco, porque há gente que para ir em frente tem de pisar o semelhante? Qual verme repugnante. Luto segundo a segundo com esta dualidade de ansiedade, de tristeza e vou definhando. Quero ir embora, rápido, preciso ir embora, pé na estrada atravessando a savana do meu fim, mas preciso de ficar mais um pouco, ele é o mais novo, estive tão pouco tempo contigo FILHO, ainda és tão pequenino, eu preciso de mais um pouco de ti querido. As minhas filhas que me perdoem, são mulheres são adultas, ele é o meu gajinho, prometi-lhe que um dia íamos à pesca, há tanta coisa para nós fazermos meu filho, minha luz. Os teus primeiros anos estive contigo tão pouco tempo, querido, só aos fins-de-semana, o pai trabalhava longe, como tu sabes queria agora recuperar esse tempo maldito em que mais valia ter também ficado ao teu lado, mas alguém tinha de trabalhar e agora dizem-me que meu dinheiro não serviu para nada. E eu que pensava que meu gesto era nobre, trabalhar mais longe para ganhar mais. Sabes querido eu já não quero saber do que dizem só peço que quando te forem buscar à escola te tragam para junto do teu pai e não só à noite. Não percebo o ódio que libertei filho para estarem constantemente a afastarem-te de mim. Sabes querido tal como te disse, daqui a uns anos alguém vai contar a verdadeira história do teu pai, não é para te colocares contra, seja quem for, será apenas para perceberes que o pai só queria deixá-los a todos vós melhor, falhei, querido filho. Por tanto querer, tanto perdi. Tanto sofro. Não deveria ser assim.

Puro amor de minha alma
Estrela linda e brilhante
De rostinho fascinante
Razão desse meu viver
Orgulho, carinho...bem querer                         

És toda a felicidade
Na minha vida meu filho
Razão de todo amor
Iluminando meus dias
Que Deus te abençoe para sempre
Meu anjo em forma de gente
Eu te amarei eternamente.

Suave riso inocente
Infinita admiração
Luz divina e reluzente
Tu meu filho querido
Amor...pulsar do meu coração

Enquanto ouvia a Maria Bethânea cantar Fernando Pessoa, encontrei este poema na NET, mexi um pouco nele e aí está para ti, meu querido. Sabes, filho, o pai nunca teve muito jeito para a poesia essa coisa dos poetas e dos líricos. Nunca tive muito jeito para ornamentos, bem, ou não tive jeito ou não tive tempo. O pai fazia milhares de quilómetros por mês para ganhar um pouco de pão, lembras-te filho, ainda há dias perguntaste-me quando é que íamos ao Porto porque era uma cidade que gostavas muito. Sei filhote porque gostas tanto do Porto, terra de boa gente, terra que me deu pão e brinquedos para ti, mas acho que é um pouco rude, assim como o pai, o melhor é procurar-mos aquela terra no fim do arco-íris, ai! como se chama, aquela de Homero, ai! aquela que tem rios de pétalas, vulcões de insenço e muitas flores de jasmim. Deixa lá filho o poeta é um fingidor e eu um estupor, esquece MEU FILHO. Um destes dias vamos à loja dos brinquedos talvez a gente encontre o Poeta para nos ensinar poesia. Poesia da boa para nós só o melhor. Amar como vos amo a todos não é poesia porque sou rude; Calcorrear léguas para recolher o pão e a água não é poesia é aspereza. Porque é que não nasci poeta, mãe?

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