"SEI QUE NADA SEI, NO ENTANTO SEI, QUE ENQUANTO VIVER COMBATEREI COM TUDO O
QUE ESTIVER AO MEU ALCANCE, TODOS OS QUE COMETEM ALIENAÇÃO PARENTAL"

sábado, 29 de outubro de 2011

VIDA AMARRADA

Conta uma velha lenda dos índios Sioux, que uma vez, Touro Bravo, o mais valente e honrado de todos os jovens guerreiros, e Nuvem Azul, a filha do cacique, uma das mais formosas mulheres da tribo, chegaram de mãos dadas, até a tenda do velho feiticeiro da tribo.



 - Nós nos amamos e vamos nos casar – disse o jovem. E nos amamos tanto que queremos um feitiço, um conselho, ou um talismã… alguma coisa que nos garanta que poderemos ficar sempre juntos… que nos assegure que estaremos um ao lado do do outro até encontrarmos a morte. Há algo que possamos fazer?
E o velho emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse:
- Tem uma coisa a ser feita, mas é uma tarefa muito difícil e sacrificada. Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte dessa aldeia, e apenas com uma rede e tuas mãos, deves caçar o falcão mais vigoroso do monte… e trazê- lo aqui com vida, até o terceiro dia depois da lua cheia. E tu, Touro Bravo – continuou o feiticeiro – deves escalar a montanha do trono, e lá em cima, encontrarás a mais brava de todas as águias, e somente com as tuas mãos e uma rede, deverás apanhá-la trazendo-a para mim, viva!
Os jovens se abraçaram com ternura, e logo partiram para cumprir a missão recomendada… no dia estabelecido, à frente da tenda do feiticeiro, os dois esperavam com as aves dentro de um saco.
O velho pediu, que com cuidado as tirassem dos sacos… e viu eram verdadeiramente formosos exemplares.
- E agora o que faremos? – perguntou o jovem – as matamos e depois bebemos a honra de seu sangue? Ou as cozinhamos e depois comemos o valor da sua carne? – propôs a jovem.
- Não! – disse o feiticeiro, apanhem as aves, e amarrem-nas entre si pelas patas com essas fitas de couro. Quando as tiver bem amarradas, soltem-nas, para que voem livres.
O guerreiro e a jovem fizeram o que lhes foi ordenado, e soltaram os pássaros. A águia e o falcão, tentaram voar mas apenas conseguiram saltar pelo terreno. Minutos depois, irritadas pela incapacidade do vôo, as aves arremessavam-se entre si, bicando-se até se machucar.
Foi então que o velho desamarrou os pássaros e disse:
- Jamais esqueçam o que acabaram de ver… este é o meu conselho. 

Vocês são como a águia e o falcão… se estiverem amarrados um ao outro, não só viverão arrastando-se, como também, cedo ou tarde, começarão a machucar-se um ao outro. Se quiserem que o amor entre vocês perdure, voem juntos, mas jamais amarrados.

Estupidamente amarrados com fitas de couro, pensei que a teu lado morreria. Acusas-me de ter sido eu a dar o laço nas fitas. Que importa agora quem enlaçou. Voa, Águia 'Filha' de Deus, sê livre. Vou tentar voar até à fonte de água cristalina que me lavará os olhos e pode ser que um dia nos encontremos, junto de uma fonte qualquer. Sabes não sei se perdi o jeito de beber água em todas as fontes. Que Manitú me ilumine nas noites escuras. Só desejo ser feliz, só.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Fingir que está tudo bem


fingir que está tudo bem: o corpo rasgado e vestido
com roupa passada a ferro, rastos de chamas dentro
do corpo, gritos desesperados sob as conversas: fingir
que está tudo bem: olhas-me e só tu sabes: na rua onde
os nossos olhares se encontram é noite: as pessoas
não imaginam: são tão ridículas as pessoas, tão
desprezíveis: as pessoas falam e não imaginam: nós
olhamo-nos: fingir que está tudo bem: o sangue a ferver
sob a pele igual aos dias antes de tudo, tempestades de
medo nos lábios a sorrir: será que vou morrer?, pergunto
dentro de mim: será que vou morrer? olhas-me e só tu sabes:
ferros em brasa, fogo, silêncio e chuva que não se pode dizer:
amor e morte: fingir que está tudo bem: ter de sorrir: um
oceano que nos queima, um incêndio que nos afoga.
José Luís Peixoto


segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A propósito do Amor... Sabemos amar?


Jupiter e June de Annibale Carracci
A  busca da unidade perdida, um sentimento de excitação ou paixão estética, é um motor que impulsiona o ser humano a buscar o que não tem. Amor e felicidade estão intimamente ligados.
O homem sempre se interessou pelo amor: o que significa; qual o seu alcance; qual é a sua profundidade; e, sobretudo, a sua relação com a felicidade. É como se o homem, ao encontrar o amor, encontrasse a felicidade.
Diziam os antigos filósofos que o homem busca o que não tem, e ama o que lhe falta; como se sente incompleto, tende para o que considera importante para sentir-se plenamente humano na sua totalidade.
O amor é uma profunda necessidade de união com o que nos falta. Embora o sentimento, por excelência, seja uma manifestação da carência dos homens.

Não se ama o que se tem, o que se tem está simplesmente com ou dentro de nós, como parte de nós mesmos.

Nós amamos o que nos completa, o que acrescenta a nós aquilo que não temos. Por isso, o ignorante ama a sabedoria e o sábio ama a ingenuidade da ignorância.

O amor não é essencialmente uma relação com uma pessoa específica, é uma atitude, uma orientação do carácter que determina o tipo de relação de uma pessoa com o mundo como um todo, não com um "objecto amoroso". Se uma pessoa ama outra pessoa somente, e é indiferente ao resto de seus semelhantes, o seu amor não é total, mas uma espécie de relação simbiótica ou um egoísmo ampliado. No entanto, a maioria das pessoas supõe que o amor é constituído pelo objecto, não pela faculdade. Crê que amar é fácil e o difícil é encontrar um objecto adequado para amar ou para ser amado por ele.
Pode-se comparar essa atitude com o homem que quer pintar, mas ao invés de aprender a arte, pensa que deve esperar o objecto adequado e que pintará maravilhosamente bem quando o encontrar.
A satisfação no amor individual não pode ser alcançada sem a capacidade de amor ao próximo, humildade, coragem, fé, disciplina... Numa cultura em que essas qualidades são raras, também deve ser rara a capacidade de amar.
Na verdade, para a maioria das pessoas, o problema do amor consiste essencialmente em ser amado e não em amar.
Amar é preocupar-se para que a outra pessoa cresça e desenvolva-se tal como é, não como se necessita que seja, como um objecto para o uso particular.
É uma arte e deve ser aprendida como a pintura, a música ou a literatura.

Pode ler o artigo completo em:  Nova Acrópole

domingo, 23 de outubro de 2011

Alberto

Tomar, Claustros do Convento de Cristo, não me recordo o ano e isso pouco importa.
Eu levava companhia, Ela também, não me recordo do nome dele, ah! isso pouco importa.
Era a festa do casamento de uma amiga comum (delas) não me lembro do nome da noiva, isso pouco importa.
O ambiente estava fascinante, não sei se por ser num convento ou as pessoas estarem muito felizes certo é que havia tempo, muito tempo que não me sentia tão bem, não me recordo de há quanto tempo não sentia aquela paz de espírito, aquele conforto, mas isso pouco importa.
Repetidamente nossos olhares encontravam-se na atmosfera do salão, ambos ficávamos sem jeito e assim permanecíamos por nano-segundos, que sensação, mas agora não importa.
Tantos trambolhões deu a vida que nunca mais te vi, nunca mais, isso não sei se importa.
Gostava de te ver mesmo por nano-segundos, talvez me importe.
Não é meu hábito 'pensar' muito em ti, dizem que podemos incomodar a outra pessoa quando a desejamos muito, vou pensando nisso é capaz de ser matéria para investigação, de momento pouco importa.
 Lembraste, foste a primeira pessoa a chamar-me Alberto e isso foi, é, e será sempre muito importante.


Se as minhas mãos pudessem desfolhar

Eu pronuncio teu nome
nas noites escuras,
quando vêm os astros
beber na lua
e dormem nas ramagens
das frondes ocultas.
E eu me sinto oco
de paixão e de música.
Louco relógio que canta
mortas horas antigas.

Eu pronuncio teu nome,
nesta noite escura,
e teu nome me soa
mais distante que nunca.
Mais distante que todas as estrelas
e mais dolente que a mansa chuva.

Amar-te-ei como então
alguma vez? Que culpa
tem meu coração?
Se a névoa se esfuma,
que outra paixão me espera?
Será tranquila e pura?
Se meus dedos pudessem
desfolhar a lua!!


Federico Garcia Lorca


sábado, 22 de outubro de 2011

Este imenso vazio...

A noite é como um olhar longo e claro de mulher.
Sinto-me só.
Em todas as coisas que me rodeiam
Há um desconhecimento completo da minha infelicidade.
A noite alta me espia pela janela
E eu, desamparado de tudo, desamparado de mim próprio
Olho as coisas em torno
Com um desconhecimento completo das coisas que me rodeiam.
Vago em mim mesmo, sozinho, perdido
Tudo é deserto, minha alma é vazia
E tem o silêncio grave dos templos abandonados.
Eu espio a noite pela janela
Ela tem a quietação maravilhosa do êxtase.
Mas os gatos em baixo me acordam gritando luxurias
E eu penso que amanhã...
Mas a gata vê na rua um gato preto e grande
E foge do gato cinzento.
Eu espio a noite maravilhosa
Estranha como um olhar de carne.
Vejo na grade o gato cinzento olhando os amores da gata e do gato preto
Perco-me por momentos em antigas aventuras
E volto à alma vazia e silenciosa que não acorda mais
Nem à noite clara e longa como um olhar de mulher
Nem aos gritos luxuriosos dos gatos se amando na rua.

Vinícius de Moraes

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Espécie de Crónica estupidamente tardia


               "Há muitas vezes sentidos obscuros
                                                    naquilo que parece uma frase iluminada"

  Sérgio Godinho

Quase que tinha jurado a mim próprio de que não voltaria a comentar observações, publicações ou outras insinuações vindas de pessoas que vivem várias realidades paralelas. Ainda bem que não o fiz, talvez.
  A realidade virtual é sem dúvida aquela que me deixou muitas vezes, mas mesmo muitas vezes, de cara ao lado   ( tipo, ‘coitado sofreu uma trombose’).

Primeiro, porque descobri de que era o único ‘iletrado’ no meio (Internet), o que não me magoou muito devido a já vir habituado doutra cena, a real. Segundo, existe muito mais gente nos megabytes do que no planeta onde somos sete mil milhões, pelo simples facto de que cada utilizador chega a ter sete, oito personalidades (qual delas a mais maquiavélica) e até mais, moldando o seu perfil de acordo com o que pretende ‘engatar’ ou 'engajar' do outro lado da rede interplanetária. Terceiro, que a maioria dessa gente, como se não lhes bastasse enganarem-se a eles próprios (e serem motivo de chacota  entre os mais esclarecidos) tentam enganar todo o mundo como se tudo à sua volta rodá-se em torno de si (eu sou o centro, e os idiotas dançam para mim) contando apenas com a esperteza própria a tal dita ‘saloia’. Quarto, de que para subirem o seu ‘EGO’, não olham a meios (a maioria idiotas), para sobressair neste mundo de hipócritas, magoando na maioria das vezes os que lhes estão mais perto (em todos os sentidos). Poderia continuar destacando pontos, de acordo com a visão que tenho do mundo mas isso seria descer ao estado de julgador, coisa que se tornaria fastidiosa para esta crónica (embora as minhas críticas de análise e construção tenham sido sistematicamente consideradas baforadas de escárnio e maldizer). Como há muito reparei que a vida é um verdadeiro labirinto, onde me perdi. Como há muito reparei que o tabuleiro onde me coloquei foi o de xadrez e como reles peão sofri um xeque-mate. Como há muito reparei que caindo num abismo, porque simplesmente pensava que podia voar e arrastando nessa queda pessoas que eu ‘pensava’ que amava (eu pensava e penso, embora me alertem constantemente que minhas iniciativas serviram para ‘despedaçar’ ‘gente de bem’). Por tudo isto e por tudo o que um homem tem de ouvir, porque falhou (e acreditem um homem ouve cada merda quando erra). Deixo um apelo:
Sou um homem derrotado. Sou um homem cansado. Sou um homem que por agora não quer reagir (embora desconheça se alguma vez o farei).
 Factos que só por si não dão o direito de alguém, quem quer que seja, me continuar julgando porque não posso ser julgado pelo mesmo ‘crime’ duas (ou mais) vezes. Porque já fui condenado e só desejo cumprir minha pena com a tranquilidade que todos os seres precisam para ‘expurgarem’ seus pecados. Aqueles que de alguma forma ainda permitem que eu respire um ‘ar’ menos rarefeito através da compaixão e da caridade, sou eternamente grato.

P.S.- Quando escrevi este desabafo, o impulso de tal iniciativa prendeu-se com o facto de ter sido atingido em mais uma orgia intelectual e de demonstração de poder por parte de quem há muito se habituou a tais devaneios. Alguém de que me lembro (Oh! Como poderia esquecer), mas de cuja acção, sinceramente nada me ocorre. Também não retenho em minha mente porque a guardei e não a publiquei de imediato. Como sou detentor de várias títulos pré-académicos, adiciono mais um para justificar a publicação da crónica em epígrafe só agora.
 -“Ganda* Maluco”

* Grande

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

"Se você puder sobreviver, você deve se lembrar que eu te amo."

Que amor é este?! Esta é uma verdadeira história de sacrifício da mãe durante o terremoto no Japão. Depois que o terremoto acalmou, quando os BOMBEIROS chegaram às ruínas da casa de uma jovem mulher, viram seu corpo morto através das rachaduras. Mas a pose era de algum modo estranha... ela ajoelhou-se como uma pessoa que estava adorando: seu corpo estava debruçado para a frente, e suas duas mãos estavam apoiando algo. A casa caiu ... caiu em suas costas e cabeça. Com tantas dificuldades, o líder da equipe socorrista colocou a mão através de uma fenda na parede para alcançar o corpo da mulher. Ele estava esperando que a mulher pudesse estar viva. No entanto, o corpo frio e duro disse-lhe que ela tinha morrido... Ele e o resto da equipe deixou a casa e estavam indo para procurar o prédio ao lado que entrou em colapso. Por algumas razões, o líder da equipe foi impulsionado por uma força irresistível a voltar para a casa da mulher morta. Novamente, ele ajoelhou-se e através das rachaduras estreitas, pesquisou o pouco espaço de baixo do corpo morto. De repente, ele gritou com entusiasmo: "Uma criança! Há uma criança! "Toda a equipe trabalhou em conjunto; eles removeram cuidadosamente as pilhas de objectos entre as ruínas, em volta da mulher morta. Havia um menino de 3 meses de idade enrolado em um cobertor florido sob o corpo morto de sua mãe. Obviamente, a mulher tinha feito um último sacrifício para salvar seu filho. Quando sua casa estava caindo, ela usou seu corpo para fazer uma capa para proteger seu filho. O menino ainda estava dormindo pacificamente quando o líder da equipe o pegou. O médico chegou rapidamente para examinar o menino. Depois ele abriu o cobertor, e viu um telefone celular dentro do cobertor. Havia uma mensagem de texto na tela que dizia: "Se você puder sobreviver, você deve se lembrar que eu te amo." Este celular foi passando em torno de uma mão para outra.Todos que leram a mensagem se emocionaram. "Se você sobreviver, você deve se lembrar que eu te amo." Tal é o amor da mãe por seu filho!

Nunca julgar que aquilo em que acredita é efectivamente a verdade. Fujo da verdade como de tudo! Porque quem tem a verdade no bolso, tem sempre uma inquisição do outro lado, pronta para atacar alguém. (Agostinho da Silva)

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

GUARDADOS DA ALMA

GUARDADOS DA ALMA

                                     
Lembro das noites que se foram
Dos incontáveis cálculos que fiz
Esperando as conjunções
O exacto momento da felicidade

Lembro de todas as minhas letras
Ensaios das declarações
Que guardava em meus papéis
Amontoado de sentimentos

Lembro de tantos anseios
Mistura de júbilo e preocupação
Intuição confirmada
Olhos inchados, mãos desajustadas

Lembro das vezes tantas
Em que saía por aí, à tua procura
Alma cheia de crenças e tropeços
De onde reaprendi todos os movimentos

Lembro da respiração mútua
Cheiro doce e morno da felicidade
Que condensavam palavras em versos
Preparadas dentro do peito

Lembro de ontem, de hoje
De agora à pouco
Em que mais uma insistente vez
Tua ausência pesa como mortalha


Beatriz Prestes 
Em: Reviver em Versos
                                    

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Ai!!! Solidão.

      Alguns misturam as queixas com profundas revoltas e até atitudes agressivas com a vida ou mesmo a Criação. A dor de cada um é muito grande. O sentimento de inadequação, baixa auto-estima e desespero, acompanham a solidão e transbordam em formas de atitudes, palavras, posturas e queixumes.

   
 
Estava há dias a ler um artigo sobre este tema que me fez pensar como actualmente muitas pessoas reclamam em estar sós: "O que há de errado comigo que não arrumo companhia? Estou procurando há tempos alguém íntegro, de carácter, honesto e verdadeiro e veja só o que me aparece... um pior do que o outro!", reclamam os solitários.
Noto que, paralelamente a este fato, outras pessoas nunca se sentem sós. Estão sempre acompanhados; têm grande poder de atracção; acabam uma relação e, no máximo em uma semana, estão com outra pessoa, nem que seja apenas sexualmente, mas, sozinhos, nunca.
Quando entro em contacto com a dor que a solidão me traz é onde posso dar o primeiro passo a cura da mesma. Certamente, todos nós, em algum momento de nossas vidas, já nos sentimos solitários, com esta sensação de falta e é provável que tenhamos chorado sentindo falta de alguém ou de um amor que se foi. Isso é normal, somos humanos, mas, neste momento, me refiro "aos solitários de carteirinha", aqueles(as) que passam parte de suas vidas em amarguras, sofrimentos, tristezas, melancolias e profundas dores emocionais. Elegeram a solidão como justificativa para sua vida não andar ou não estabelecer vínculo com outras pessoas, ficam presos a determinados arquivos emocionais, e têm, nessa vida, uma óptima oportunidade de cura se assim o desejarem.

   De facto, os seres humanos não nasceram para viverem sós. Nós somos seres gregários, precisamos da companhia, do carinho, da protecção, da amizade, do compartilhar. É na troca dentro das relações ou papéis que representamos, que desenvolvemos competência para interagir com cada um deles, pois na vida humana o que nos diferencia dos nossos irmãos animais são os processos de aprendizado estabelecidos na relação com seu semelhante. O pior tipo de solidão é aquela que mesmo em companhia de pessoas queridas, sentimos o vazio, a falta de alguém ou algo.
Assim, todos os solitários que sofrem por este motivo, estão cometendo um enorme equívoco: "não olhar sua relação consigo mesmos". Estão buscando fora, aquilo que deveriam buscar dentro. A experiência humana nos dá oportunidade, através do apoio do outro, de me reconhecer, aprender a ficar comigo, me acolher, me aceitar, me amar, me curtir, e ter uma qualidade de vida interior mais saudável, para me relacionar depois de ter superado as necessidade primitivas do meu nascimento e desenvolvimento, quando for um adulto que consegue assumir sua vida e sua caminhada. Solidão nada mais é que sentir falta de mim mesmo. Quem assume ficar consigo pode até sentir falta de outra pessoa, mas alcança qualidade de vida à medida que se aceita, para depois entrar numa relação afectiva pronto para trocar.
Solitários de plantão, permitam-me um dica amorosa: a solidão não existe, ela é o abandono que pratico comigo mesmo. Eu tenho em mim a dose de amor correta de tudo aquilo que necessito e se me der este amor, se entender que sou eu que curo as minhas relações e não a presença do outro, de quem ainda me mantenho dependente, em pouco tempo poderei estar inteiro para viver uma gostosa relação de amor com meu próximo.
Por: Camila Oliveira, in Obvious

                                 

A Montanha Dos Meus Sonhos

domingo, 16 de outubro de 2011

No Fundo Do Poço






Um dia, um burro cai num poço. O animal chora fortemente durante horas, enquanto o seu dono pensava no que fazer. Finalmente, o camponês toma uma decisão cruel: concluiu que já que o burro estava muito velho e que o poço estava mesmo seco, precisaria de ser tapado de alguma forma. Portanto, não valia a pena esforçar-se para tirar o burro de dentro do poço. Chamou então os seus vizinhos para o ajudar a enterrar vivo o animal. Cada um deles pega numa pá e começaram a atirar terra para dentro do poço. O burro entendeu o que estavam a fazer e chorou desesperadamente. Até que, passado um momento, o burro pareceu ficar mais calmo. O camponês olhou para o fundo do poço e ficou surpreendido. A cada pá de terra que caía sobre ele o burro sacudia-a, dando um passo sobre esta mesma terra que caía ao chão. Assim, em pouco tempo, todos viram como o burro conseguiu chegar até ao topo do poço, passar por cima da borda e sair dali sem olhar para trás.
A vida continua a atirar muita terra para cima de mim. Especialmente depois que caí dentro de um poço. Cada um dos meus problemas pode  ser um degrau que me conduz para cima. Podemos sair dos buracos mais profundos se não nos dermos por vencidos. Usar a terra que nos atiram para seguir em frente!





sexta-feira, 14 de outubro de 2011

AVISO AFIXADO EM VÁRIAS PORTAS



 O resfriado escorre quando o corpo não chora.
A dor de garganta entope quando não é possível comunicar as aflições.
O estômago arde quando as raivas não conseguem sair.
O diabetes invade quando a solidão dói.
O corpo engorda quando a insatisfação aperta.
A dor de cabeça deprime quando as duvidas aumentam.
O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar.
A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável.
As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas.
O peito aperta quando o orgulho escraviza.
O coração enfarta quando chega a ingratidão.
A pressão sobe quando o medo aprisiona.
As neuroses paralisam quando a"criança interna" tiraniza.
A febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade.

Preste atenção! O plantio é livre, a colheita, obrigatória ... Preste atenção no que você esta plantando, pois será a mesma coisa que irá colher!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

JANELA DA ALMA

Este documentário dá voz a dezanove pessoas com deficiências visuais diversas, desde a miopia discreta até a cegueira total. Entre essas pessoas, um dos mais interessantes depoimentos é o do escritor português José Saramago, celebridade convidada por ter, em 1995, publicado o romance "Ensaio sobre a Cegueira". Com essa obra, conquistou o Prémio Nobel de Literatura três anos depois. O grande autor fala sobre a vida e a relação entre os homens. Ele acredita, por exemplo que, se Romeu tivesse os olhos de falcão, provavelmente não teria se apaixonado por Julieta. Isso significa que a percepção que essa ave tem da realidade é muito mais ampla, profunda e repleta de detalhes não captados pelo olhar humano.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Onde você vê um obstáculo,
alguém vê o término da viagem
e o outro vê uma chance de crescer.
Onde você vê um motivo pra se irritar,
Alguém vê a tragédia total
E o outro vê uma prova para sua paciência.
Onde você vê a morte,
Alguém vê o fim
E o outro vê o começo de uma nova etapa...
Onde você vê a fortuna,
Alguém vê a riqueza material
E o outro pode encontrar por trás de tudo, a dor e a miséria total.
Onde você vê a teimosia,
Alguém vê a ignorância,
Um outro compreende as limitações do companheiro,
percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo.
E que é inútil querer apressar o passo do outro,
a não ser que ele deseje isso.
Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar.
"Porque eu sou do tamanho do que vejo.
E não do tamanho da minha altura."

Fernando Pessoa

 

segunda-feira, 10 de outubro de 2011


    Sussurro é uma forma de fonação na qual as cordas vocais não vibram normalmente, sendo apenas suficientemente aduzidas para criar uma turbulência audível à medida que o orador exala (ou inala).
É normalmente utilizado para que as demais pessoas não ouçam o que está sendo falado.
     
A Torre com as suas cabaças, tal como nós, não adormece. Nas Águas Furtadas tingem-se as paredes com a doce nicotina e ausculta-se a noite. Dos lados da serra o vento sussurra num gemido partilhado e a garganta aperta. Acabou-se o álcool. A música percorre o tempo, pudesse eu viajar com ela e escutarias meus pensamentos perversos a propósito do teu corpo. Os invejosos clamam aos deuses por a ninfa me sorrir. Talvez um dia eu me desforre doce Amada.