"SEI QUE NADA SEI, NO ENTANTO SEI, QUE ENQUANTO VIVER COMBATEREI COM TUDO O
QUE ESTIVER AO MEU ALCANCE, TODOS OS QUE COMETEM ALIENAÇÃO PARENTAL"

quarta-feira, 28 de março de 2012

Agora tenho mais...




Já por várias vezes afirmei em privado de que me sinto muito estranho, digamos muito 'anormal' em relação aos demais, agora volto a repeti-lo num circuito um pouco mais alargado, este, o do blogger.
Eu penso que nunca perdi nada ou ninguém, apenas deixei de por algum tempo de partilhar com a sua presença.
Aplico isto a todos os que amo mas onde estou ausente, incluindo aqueles que se convenceram que por atitudes ou silêncios os deixei de amar. Todos, todos os que entraram em meu peito foi para sempre, mesmo os que me agrediram sem paixão (sim, porque para agredir é necessária muita paixão) estão cá, são coisas que não sei explicar nem sequer estou para aí virado.
Quando perante uma ruptura nos afastamos de alguém, sobra o comentário de:
- Perdi... mas ganhei isto ou aquilo.
Não partilho, e devido a isso me sinto estranho. Eu nunca perdi alguém, fosse porque me afasta-se ou porque esse alguém falecesse ou por troca (sim passamos a vida em trocas e baldrocas) ou por outra situação qualquer, certo é que estou com todos dentro de mim. E agora tenho mais.
Não sei o que será essa espuma dos dias que virão, sei que já estão comigo e aconteça o que acontecer não sairão jamais do meu coração.
Estranha forma de vida esta de aprender-mos a colocar gente dentro de nós, num mundo cada vez mais separatista e racial.
Convosco estou a aprender todos os dias, posso não ser o melhor pai do mundo mas quero ser um Grande Amigo.
Não pretendo ser um substituto, nunca o conseguiria, apenas vosso amigo, um Amigo que vos quer muito e aos poucos aprenderá os mistérios da vida.
Obrigado por me aceitarem.
Com muito amor
Fernando

Meu Querido Filho





Um escritor está acostumado a criar muitas histórias, na maioria das vezes são personagens das suas próprias. Mas hoje eu lhes conto uma que ouvi há anos passados e guardei como exemplo de amor, afeição, dedicação, generosidade. Qualidades raras nesses nossos dias  em que vivemos.
“Um homem e seu filho tinham grande paixão pelas artes. Participavam juntos de exposições, trocavam idéias, e o gosto pela arte parecia unir cada vez mais pai e filho, tornando mútua a admiração que um tinha pelo outro.
Essa união foi interrompida, pois o filho foi convocado para os campos de batalha, numa guerra em que se envolvera seu país. Lutou bravamente, mas infelizmente não regressou. Morreu nos campos de batalha, usando seu próprio corpo como escudo para proteger um amigo; prestes a receber o impacto de um tiro mortal.
Seu pai sofreu profundamente com a notícia. Perdera mais que um filho; perdera seu único filho e sua motivação para continuar a viver.
Trancou-se em casa e de lá não mais saiu, até que um jovem bateu à porta da sua casa, com uma pintura em tela nas mãos:
- “O senhor não me conhece, mas eu sou o rapaz por quem seu filho deu a vida. Naquele mesmo dia ele salvou dezenas de outras pessoas, as tirando da linha de fogo do inimigo. Nas poucas vezes que conversamos, ele sempre falava do senhor e do gosto que ambos tinham pela arte. Estou aqui hoje para cumprir uma promessa que fiz a mim mesmo  naquela ocasião: de retratar em tela a imagem do seu filho. É a única forma que encontrei para agradecer-lhe por ter salvo a minha vida”.
O pai abriu a tela e se emocionou com a imagem do seu filho querido. O jovem rapaz conseguira passar naquela pintura a generosidade; as expressões verdadeiras do filho. Foi como se por um momento ele estivesse de volta pra casa.
Com os olhos humedecidos pelas lágrimas agradeceu o presente daquele jovem, e colocou a pintura em lugar de destaque no meio da sua galeria de artes.
A separação prematura do filho havia lhe atingido profundamente; não resistiu à tristeza, morrendo meses depois.
Deixou em testamento a instrução para que todas as suas posses e obras de arte fossem a leilão; entre elas estava a tela do seu filho, mas todos só pareciam interessados nas obras dos grandes mestres.
Havia em testamento a instrução para que o quadro do filho fosse o primeiro a ser leiloado, mas ninguém se interessou.
O leiloeiro insistiu:
- “Alguém oferece duzentos reais pela pintura “O Filho?”
Ninguém levantou a voz e se fez um silêncio profundo.
 - “Cem Reais pelo quadro, quem oferece o lance?”
Um velho homem, que trabalhava como jardineiro da casa estava presente e ofereceu dez reais pela pintura, único dinheiro que tinha em mãos.
 -“Quem dá vinte reais?” Gritou o leiloeiro, antes que batesse o martelo.
 - “Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três. Vendida a tela por dez reais ao velho senhor”; finalizou o leiloeiro.
Correu no salão uma satisfação e alívio geral. Todos aguardavam ansiosos o momento de comprar as obras dos grandes mestres.
 -“Vamos continuar o leilão”, gritou um senhor ilustre no fundo do salão.
-“Sinto muito senhores, o leilão está encerrado. Quando fui chamado para fazer este leilão havia um segredo estipulado no testamento do antigo dono: somente a pintura do filho seria leiloada; todas as outras pinturas e posses ficariam com aquele que comprasse a tela do seu filho.
Sendo assim, o homem que comprou “O Filho” fica com tudo”.

Tem gente que morre por dinheiro, e há outros que nem o dinheiro, nem a morte separam.

Carlos Lucchesi