"SEI QUE NADA SEI, NO ENTANTO SEI, QUE ENQUANTO VIVER COMBATEREI COM TUDO O
QUE ESTIVER AO MEU ALCANCE, TODOS OS QUE COMETEM ALIENAÇÃO PARENTAL"

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Quantas vezes...


Quantas vezes construímos fortalezas exteriores para revestir um interior destroçado? (Pode parecer impossível, mas conseguimos essa façanha...)

Quantas vezes expomos dentes em primorosos sorrisos que escondem as lágrimas que cavam sulcos internos em nossas faces? (E como calcinam essas torrentes...)

Quantas vezes pronunciamos belos vocábulos que soam como belas melodias, mas que de fato não traduzem os dialectos dos nossos sentimentos? (Que às vezes são indecifráveis, pois foram forjados na rigidez dos diversos desencontros...)

Quantas vezes nossos lábios se desidratam pela ausência do ímpeto de buscar outros lábios que almejam nos oscular? (As palavras [e muito mais] definham sem irrigação...mas as enchentes podem esculpir vastas erosões...)

Quantas vezes tateamos as vias públicas e nos privamos de apalpar as vias privadas na incógnita de nos desorientarmos entre tantos arqueados? (E encarcerando instintos extravagantes esmagados pelo vazio da mesmice habitual que corrói as entranhas das fortalezas, seguimos).

Quantas vezes...quantas vezes...Ah!...Quantas vezes....e na maioria das vezes perdemos as contas por serem tantas vezes que as circunstâncias nos levaram para uma ponte de cordas, mas o pavor de atravessá-la nos direcciona a uma segura, mas, quimérica firmeza.

 Quantas vezes nesta alcantilada caminhada os nossos olhos, náufragos de uma nave despovoada, são fitados por olhos que radiam ao experimentar furtivamente nossos olhos nesta escuridão iluminada de devaneios? (Até sabemos que nas sombras o tempo é mais longo e hostil, mas recalcitramos...)

Quantas vezes inconcretamente dizemos adeus, por não termos a devida bravura de enunciar: não vás? (Dar as costas nesta era ganhou status de razão ou de blindagem?)

Quantas vezes distraídos, atarefados, enraizados, fragmentados pela rotina ou quem sabe estólidos diante de exorbitante complexidade, não nos damos conta, que só podemos ser se somos ser para outro ser?(ou seres) Ou quem sabe tudo rascunhado e lamentado, esteja na veracidade apenas perdido na memória rachada e rasgada pela aguda frieza do tempo que diluiu os sentimentos nos temerários da nossa existência calejada e em constante devir...? (És uma fuga? Por onde andei? Andarás por onde? Aliás, nascemos?) Não há enigmas. São cópias de um reflexo do orbe às avessas. (......)

Quantas vezes mais daremos derradeiros suspiros por ausência de palavras? Quantas vezes...ah...quantas vezes nós deixamos de dizer...

"Quantas vezes", MR 8/abr/12

1 comentário:

  1. Quantas vezes ninguém sabe. O importante é viver cada momento chegado, sem ansiedade.
    Beijos!

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