"SEI QUE NADA SEI, NO ENTANTO SEI, QUE ENQUANTO VIVER COMBATEREI COM TUDO O
QUE ESTIVER AO MEU ALCANCE, TODOS OS QUE COMETEM ALIENAÇÃO PARENTAL"

sexta-feira, 11 de maio de 2012

SAUDADES DE TI MEU FILHO QUERIDO


   Era saudade, sim, eu pude dar nome quando tocou o meu instante com mãos de surpresa e me convidou pra sentir. Eu deixei que crescesse, que expandisse seus ramos, que florisse com calma, sem tentar adiá-la ou entretê-la, essas coisas que às vezes a gente tenta fazer com saudade que machuca, e vez ou outra até consegue. Mas aquela, eu pressenti pela melodia do perfume que emanava, aquela não tinha a mínima intenção de ferir. Aquela não saberia, ainda que tentasse. Aquela, eu sei, não tentaria. Não era daquelas saudades que fazem a musculatura da vida ficar toda contraída de dor. Daquelas que amordaçam as flores e espantam as borboletas. Daquelas que engasgam o canto e fazem as asas encolherem. Daquelas traiçoeiras que, na primeira oportunidade, quebram as pontas dos nossos lápis de cor. Daquelas que escondem os brinquedos da gente nas prateleiras mais altas e, por via das dúvidas, encurtam os braços do nosso contentamento.         

Daquelas que inflamam nuvens que depois inundam tudo de carência e de tristeza. Não, aquela não. Aquela era uma saudade feita de um punhado de sorrisos viçosos floridos no jardim da memória. Era pássaro que cantava macio na árvore mais frondosa da minha gratidão. Era mar que estendia ondas suaves de ternura por toda a orla dos meus olhos. Aquela era dessas saudades que toda vez que dizem acendem um mundaréu de estrelas no céu do coração. Era uma certeza de que a vida sempre arruma maneiras para aproximar as almas irmãs, esses anjos vestidos de gente que tornam mais fácil e mais feliz a nossa temporada de aulas e recreios nesse mundo. Aquela era dessas saudades bem-vindas que trazem também descanso e alegria na sua cesta de bênçãos. Era dessas saudades que derrubam cercas e desenham pontes. Era dessas saudades que desembrulham lembranças que deixam o instante da gente todo perfumado de Deus. Aquela era dessas saudades generosas que bordam sol no tecido da alma com os seus lindos fios de amor.

Anónimo

 

Da Noite ao Silêncio

 

domingo, 6 de maio de 2012

BURACOS NEGROS HUMANOS

      Como essas personalidades atormentadas fascinam, atraem e destroem.

   Costumo me lembrar dela de duas maneiras. Numa, é a mulher intensa, cheia de vida, que a cada dia se apaixonava por uma nova ideia que iria revolucionar a sua vida. Na outra, é uma garota ansiosa, desamparada, sempre correndo atrás de algo que não existia. Nas duas versões é um ser humano fascinante. Em ambas, uma companhia intolerável.
Dias atrás, ao me lembrar dessa pessoa concreta e real, me ocorreu a imagem de um buraco negro – aquele ponto no espaço em que as forças do universo se manifestam de forma extrema e misteriosa.
Em sua sedutora confusão, ela era capaz de atrair as pessoas, roubar a luz que elas emitiam e, de forma inocente e inevitável, esmagá-las. Assim como se imagina que os buracos negros podem levar a outras dimensões, ela também arrastava as pessoas ao seu redor a um território de angústia e perplexidade, aquele em que ela mesma vivia o tempo todo. Era, a despeito da sua doçura essencial, da sua enorme carência, uma personalidade destrutiva, incapaz de obter ou oferecer paz. Um mistério insolúvel para si mesma. Uma alma atormentada. Um buraco negro emocional.
Talvez vocês já tenham se envolvido com gente assim.
É impossível ignorá-las e parece impossível salvá-las de si mesmas. Movidos por nossos melhores sentimentos, ou pelo mero desejo, somos arrastados a um turbilhão que não é o nosso e rapidamente percebemos que é impossível contê-lo ou sobreviver em seu interior. Quando você descobre que o outro é um rio sem margem, o instinto de sobrevivência recomenda fugir. Quem fica tem histórias difíceis para contar. Ou quem tem mesmo de ficar, porque tem crianças, tem histórias ainda mais horríveis.
A convivência com esses extremos ensina algumas coisas, porém. A mais importante delas é a importância essencial da sanidade. Os seres humanos diferem de incontáveis maneiras e suas neuroses se multiplicam na mesma proporção. Mas há, dentro de cada um de nós, uma espécie de termómetro que mede a loucura do outro. Se ela passar do limite aceitável pela tribo, ou por nós mesmos, algo dentro de nós berra e recua. Muitos tivemos essa experiência.
Você está conhecendo a pessoa, gosta do que vê e do que ouve, mas, de repente, ela diz ou faz algo totalmente fora de contexto, incompreensível e, por isso mesmo, assustador. Pode ser uma explosão de violência, uma mudança radical de humor ou uma conversa sem pés nem cabeça, que você tenta seguir e não consegue. O resultado é o mesmo: aparece um nó no estômago e a atracção vira pó. Temos vontade de sair correndo.
Mas esses são casos extremos.
Em geral, antes de descobrir o pântano mental do outro já estamos enredados. Imersos até ao pescoço. Aí fica mais difícil perceber e escapar da confusão. Aliás, podemos estar apaixonados pelo tumulto. Achamos aquilo tudo fascinante, atraente, único. Pensamos: que pessoa original achei para mim. Leva tempo para entender que ela talvez seja original demais para o seu próprio bem. Custa se desenvencilhar de algo assim.
Por isso eu penso nos buracos negros, em como eles arrastam para si tudo ao redor, como são fundamentalmente incompreensíveis e fascinantes, como representam perigo. Eles lembram as personalidades atormentadas. Assim como os buracos negros, é melhor vê-las de longe, no tempo e no espaço, à distância segura de um telescópio. Talvez assim seja possível decifrá-la. Assim é possível sobreviver ao seu fascínio.

Texto de Ivan Martins, da Época (Brasil) Adaptado à sua, à minha, à nossa triste realidade.
(em Itálico frases introduzidas referentes à minha real situação)

O Meu Menino D'Oiro

sábado, 5 de maio de 2012

O MEU PUTO PORTUGUÊS




                                                     


   

sexta-feira, 4 de maio de 2012

BIOLOGIA DOS PAIS

"Toda a criança precisa de um pai" é uma frase que frequentemente se ouve, mas há algum fundamento científico que a sustente? Neste documentário, a psicóloga infantil Laverne Antrobus faz uma busca para descobrir por que a relação do pai com seus filhos é tão importante. Ela revela descobertas de pesquisas recentes sobre a ciência da paternidade.