"SEI QUE NADA SEI, NO ENTANTO SEI, QUE ENQUANTO VIVER COMBATEREI COM TUDO O
QUE ESTIVER AO MEU ALCANCE, TODOS OS QUE COMETEM ALIENAÇÃO PARENTAL"

quarta-feira, 11 de julho de 2012

A necessitar de Psicanálise

Naquele dia o entusiasmo saltava-lhe no olhar, o tal curso ao abrigo das Novas Oportunidades tinha-lhe permitido conhecer a obra de Sigmund Freud. Quando expressou o nome do génio pronunciou-o como 'Freud' e corrigi, não é 'Freud' é 'Fróid'. De olhar desconfiado (como já era normal), disse:
-Mas está escrito com um 'E' e um 'U'; Sim, disse eu, mas pronuncia-se 'Fróid'. Aumentando a desconfiança em relação à minha observação e já demonstrando uma ligeira irritação questiona-me:

-Mas tu sabes quem foi Sigmund Freud?
-Sei alguma coisa e já li algo sobre o 'pai' da Psicanálise.
-Ah! Tu sabes muita coisa. Amanhã vou confirmar essa tua sabedoria.
-Mas porque estás tão irritada?
-Não, não estou irritada, estou apenas surpreendida por saberes tanto.
-Sei que nada sei, mas tenho algures aí na estante (objecto cujo ódio visceral ela aumentava em proporção ao volume de livros), um ou dois livros sobre Sigmund Freud e dois ou três do Prof. Carlos Amaral Dias, grande especialista em Freud e um grande comunicador que estimo e admiro. E mostrei-lhe os objectos de culto. Quando se apercebeu de que eu estava a falar verdade e já numa mistura de 'Irritação' 'Raiva' e 'Desespero' argumenta:
-Sabes, eu não estou irritada, o que me 'chateia' é essa tua maneira de falares comigo.
-Maneira! Como assim?
- Esse teu 'ar' de 'intelectual', essa tua 'arrogância', tens a mania que sabes tudo...

Aqui, uma vez mais, já lhe tinha virado as costas e caminhando na direcção oposta, a nossa vida não passava disto. A tristeza me consumia e um imenso vazio aos poucos me queimava por dentro. Agora que relembro estas cenas patéticas vem-me à memória aquelas viagens de automóvel cuja duração rondava a hora e meia e que quando coincidiam com alguns programas de rádio do meu agrado, quer fossem de Jazz ou de Clássica apenas me era permitido escutar uns meros dois ou três minutos, volvido esse tempo, uma voz se sobrepunha aos acordes radiofónicos e se fazia ouvir.
-Fernando, que seca. Vamos ouvir isso até casa?
Às vezes, a 'voz' surgia em duplicado quando no banco traseiro da viatura um outro passageiro partilhava a crítica. De nada serviam os meus argumentos, em democracia a maioria prevalece e lá se iam "Cinco Minutos de Jazz" ou uma 'partitura' qualquer que estava ali a mais. O que me fazia alguma confusão (ou talvez não), era, decorridas poucas horas a mesma criatura que me reduzia ao silêncio no automóvel,fazia um 'Like' no 'Livro dos Rostos' quando uma outra 'criatura' sua 'amiga' 'postava' um tema de Jazz ou de Clássica e a acompanhar o Like fazia um 'Comment':
- "Ah! Asdrubel, quando escutei esta noite Bach, toda eu estremeci (ou arrepiei, não me recordo agora) e as lágrimas caíram-me pelo rosto."
Claro que de imediato dei conta que eu necessitava urgentemente de Psicanálise. E vieram-me à mente algumas observações de Freud:

e trago à minha debilitada memória aquela velha canção do Rui:                                                          
                                                  

Nunca vi aquela Alma acercar-se da Estante 'maldita', onde habitavam os livros que fizeram aquilo que hoje sou (talvez por isso mesmo, quem sabe!) e pegar um livro e desfolhá-lo. Ou pegar num dos vários CD's de Jazz ou de Música Clássica e colocá-lo para o escutar. No entanto nos lugares da Net onde todo o mundo se mascara tornou-se especialista em ambos os géneros, opinando, criticando e elogiando temas que nunca escutou na vida. Claro que tudo isto não é natural ou à 'besta' que sou, não me é permitido entender como o Mundo rola. E assim, essa ignorância me corrói lentamente porque sei que nada sei.  
                                                                                                                                 

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