"SEI QUE NADA SEI, NO ENTANTO SEI, QUE ENQUANTO VIVER COMBATEREI COM TUDO O
QUE ESTIVER AO MEU ALCANCE, TODOS OS QUE COMETEM ALIENAÇÃO PARENTAL"

terça-feira, 27 de novembro de 2012

O Homem é um cadáver adiado (Fernando Pessoa)

Hoje, talvez seja um dia especial. Uns nascem outros morrem mas tu estás viva. Pelo menos esse coração bate e irriga-te o cérebro, logo permite que penses e analises. Nem tudo o que parece é e estás no tempo de pensar em que mais alguém precisa de ti. Mas de uma vez por todas precisas de saber o teu lugar, de onde vieste, para onde vais. Alguém disse: "O que determinou o que estamos hoje a viver foram as nossas escolhas e serão elas também o que irão determinar o que vamos viver amanhã." - Ora aqui está uma frase
digamos, 'sensata', embora incompleta. É que às vezes escolhemos mal sem nos apercebermos e tomamos opções influenciados pelas aparências já que sempre se disse que a vista é a primeira a 'comer'. Bom, isso pouco importa agora, vive e não esqueças que tens quem de ti depende. Que tenhas um grande dia e que o futuro seja aquilo que tu queiras. A Humildade tem de ter sempre lugar no teu coração. Parabéns. Diverte-te.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

VIVER


"Construir, todos os dias, incansavelmente, demencialmente, momentos inesquecíveis: isso sim vale a pena. Sê um construtor de momentos inesquecíveis, de momentos que vais querer, tal como quiseste vivê-los, recordar. Momentos que vais querer recordar incansavelmente, demencialmente. Sê um criador que nunca se cansa de construir momentos que vai querer recordar."
(Pedro Chagas Freitas, "Eu Sou Deus")

Fazer da vida uma festa, um banquete permanente. Eis o que os mercados e os governos nos querem impedir de fazer. Gozar a vida na leitura, no conhecimento, na arte, no prazer. Não ser o homem das meias-medidas, o meio-homem, a meia-mulher. Viver intensamente o instante. Viver é "nascer todos os dias, de novo. Consiste em ver tudo de novo", em fazer tudo de novo, em ser todos os dias "virgem de felicidade, criança de exaltação, bebé de euforia", como diz Pedro Chagas Freitas. Não é andar todo o dia a contar os trocos, a fazer contas. Viver é excesso mas também contemplação. Não é andar trabalho-casa, casa-trabalho, não é estar às ordens do governo, da polícia, da Merkel, dos mercados. Viver definitivamente é não estar às ordens de ninguém. Viver é andar sem Deus nem amos, como dizem os anarquistas. Não é certamente andar em função da televisão, do telejornal, do futebol, das telenovelas. Viver é desfrutar a vida. Quer através do saber, quer através do próprio querer, da vontade. Viver é sermos reis e senhores da vida. E eu conheci poetas vadios, sem-abrigo que o eram. Não são necessárias fortunas. Aliás, o dinheiro a partir de determinado nível só traz escravidão, dependência. Viver é certamente dar e receber amor e ser livre. É isso que somos. É isso que podemos ser. Não escravos disto e daquilo. Não subservientes em relação a este e àquele. Livres, soberanos, sonhadores. Donos da vida. Construtores de momentos inesquecíveis, criadores de vida. Eis porque estamos aqui, eis porque usamos a palavra. Ninguém nos vai roubar isto.

ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Sorri




Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos

Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz

Charles Chaplin

sábado, 10 de novembro de 2012

"Eu não merecia" ou "Enquanto todos vivem as suas vidas eu vivo na ilusão de viver".


“... Porque é que uns nascem na miséria e outros na opulência, sem nada terem feito para justificar essa posição?
Porque é que para uns nada dá certo, enquanto que para outros tudo parece sorrir?...”
                                                                                                                                                            “...As vicissitudes da vida têm, pois, uma causa, e, uma vez que Deus (para quem acredita Nele) é justo, essa causa deve ser justa. Eis do que cada um deve compenetrar-se bem...” 

Capítulo 5. item 3 do Evangelho


Assumir total responsabilidade por todas as coisas que acontecem em nossa vida, incluindo sentimentos e emoções, é um passo decisivo em direcção à nossa maturidade e crescimento interior. A tendência em acusar a vida, as pessoas, a sociedade, o mundo, enfim, é tão antiga quanto o género humano; e muitos de nós crescemos aprendendo a raciocinar assim, censurando tudo e todos, nunca examinando o nosso próprio comportamento, que na verdade decide a vida em nós e fora de nós.

Assimilamos o “mito do vitimismo” nas mais remotas religiões politeístas, vivenciadas por todos nós durante as várias encarnações (para quem acredita em tal coisa), quando os deuses temperamentais nos premiavam ou castigavam de conformidade com suas decisões arbitrárias. Por termos sido vítimas nas mãos dessas divindades, é que passamos a usar as técnicas para apaziguar as iras divinas,comercializando favores com oferendas a Júpiter no Olimpo, a Neptuno nas actividades do oceano, a Vénus nas áreas afectivas e a Plutão, deus dos mortos e dos infernos.

Aprendemos a justificar com desculpas perfeitas os nossos desastres de comportamento, dizendo que fomos desamparados pelos deuses, que a conjunção dos astros não estava propícia, que a lua era minguante e que nascemos com uma má estrela. Ainda muitos de nós acreditamos ser vítimas do pecado de Adão e Eva e da crença de um deus judaico que privilegia um povo e despreza os outros, surgindo assim a ideia da hegemonia divina das nações (e até aqueles que se dizem ateus, mas por detrás, procuram videntes, cartomantes, médiuns, etc., deveriam de pensar um pouco).

As pessoas que acreditam ser “vítimas da fatalidade” continuam a apontar o mundo exterior como culpado dos seus infortúnios. Recusam absolutamente reconhecer a conexão entre seus modos de pensar e os acontecimentos exteriores. São influenciadas pelas velhas crenças e se dizem prejudicadas pela força dos hábitos, pelas cargas genéticas e, ou, pela forma como foram criadas, afirmando que não conseguem ser e fazer o que querem.

Não sabem (ou fingem não saber) que são arquitectos de seu destino, nem se conscientizam de que o passado determina o presente, o qual, por sua vez, determina o futuro. A vítima sente-se impotente  e indefesa em face de um destino cruel. Sem força nem capacidade de mudar, repetidas vezes afirma: “Eu não merecia isto”, “A vida é injusta comigo”, nunca lhe ocorrendo, porém, que o seu jeito de ser é que materializa pessoas e situações à sua volta.

Defendem seus gestos e atitudes infelizes dizendo: “Meus problemas são causados no meu lar”, “Os outros sempre se comportam desta forma comigo", "não faço mal a ninguém e não tenho sorte nenhuma.... é só um desabafo".

Desconhecem que as causas dos problemas somos nós e que, ao renascermos, atraímos esse lado para aprendermos a resolver nossos conflitos. São os nossos comportamentos interiores que modificam o comportamento dos outros para connosco  Se somos, pois, constantemente maltratados é porque estamos constantemente nos maltratando e ou maltratando alguém (ou não será assim?).

Ninguém pode fazer-nos agir ou sentir de determinada maneira sem a nossa permissão. Outras pessoas ou situações poderão estimular-nos a ter certas reacções  mas somente nós mesmos determinaremos quais serão e como serão essas reacções  As formas pelas quais reagimos foram moldadas pelas experiências em várias vidas e sedimentadas pela força de nossas crenças interiores - mensagens gravadas em nossa alma.

Portanto, precisamos assumir o comando de nossa vida e sair do posicionamento infantil de criaturas mimadas e frágeis, que reclamam e se colocam como “vítimas do destino. Admitir a real responsabilidade por nossos actos e atitudes é aceitar a nossa realidade de vida - as metas que alteram a sina de nossa existência. Em vez de atribuirmos aos outros e ao mundo nossas derrotas e fracassos, lembre-mo-nos de que “as vicissitudes da vida têm, pois, uma causa,e, uma vez que Deus é justo, essa causa deve ser justa”???

Só para terminar, por agora, será também muito importante LIBERTAR-MO-NOS dos ou das  'conselheiro(a)s matrimoniais' em especial daquelas do tipo: "acredita já passei por isso" ou "o tempo raramente volta para trás...". Uns ainda, tem a certeza de que o tempo nunca volta atrás.
Já o meu avô Alberto dizia: "Nunca digas que desta água não beberei". Amizades honestas, fortes, altruístas é uma coisa rara, de profetas da desgraça, víboras maquiavélicas e invejosas ou vampirismo  energético está o planeta cheio, façam as vossas opções.
 O Mundo está cheio de quem nos queira 'BEM' e por isso não deixa de ser um lugar muito estranho.

Adaptação de um artigo publicado em : Amigos do Freud 
(Entre parênteses e em itálico do autor deste blogue)

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

“Viver não dói”

    

Definitivo, como tudo o que é simples.                      
Nossa dor não advém das coisas vividas,                                  
mas das coisas que foram sonhadas            
e não se cumpriram.                                      
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.
Sofremos por quê?   




                                                   
Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projecções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos, por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.
                                                                                      Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante      
                                                                                      e paga pouco, mas por todas as horas livres
                                                                                      que deixamos de ter para ir ao cinema,
                                                                                      para conversar com um amigo,
                                                                                      para nadar, para namorar.


Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente connosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.
                                                                                                     

                                                                                       Sofremos não porque nosso time perdeu,
                                                                                       mas pela euforia sufocada.
                                                                                       Sofremos não porque envelhecemos,
                                                                                       mas porque o futuro está sendo
                                                                                       confiscado de nós, impedindo assim
                                                                                       que mil aventuras nos aconteçam,
                                                                                       todas aquelas com as quais sonhamos e
                                                                                       nunca chegamos a experimentar.


Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!                          
A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional.


 (Carlos Drummond de Andrade)