"SEI QUE NADA SEI, NO ENTANTO SEI, QUE ENQUANTO VIVER COMBATEREI COM TUDO O
QUE ESTIVER AO MEU ALCANCE, TODOS OS QUE COMETEM ALIENAÇÃO PARENTAL"

sexta-feira, 30 de maio de 2014

A HIPOCRISIA EM TODO O SEU ESPLENDOR.

Ele tinha ficado desempregado há apenas dois anos mas o subsídio de desemprego transformado em projecto ainda suportou o casamento cerca de mais dois anos. Depois com o tal projecto de pantanas e já sem dinheiro toda a estrutura familiar começou a desabar.

Um dia quando a noite começava a beijar as horas ela se aproximou dele e disse a Esmeralda (nome fictício) recebeu um convite do seu 'pai' no facebook a pedir-lhe amizade!
- E? Perguntei eu.
- Ela não lhe quer responder.
- E? Perguntei eu de novo.
- O que é que tu achas?

Antes de prosseguir com esta 'macabra' história convém situar-mos os personagens da mesma e localizá-los na dita cuja.

Eu vinha de uma aventura amorosa (a primeira) fracassada, a minha companheira fartou-se e regressou às origens, entretanto a minha ex-mulher tinha falecido e atravessei o chamado período de repouso, trabalhava e fazia desporto.
Durante este período ainda ocorreu uma cena quase dramática com uma psicóloga mas claro a coisa não solidificou, ela vinha de uma relação rompida e eu tinha acabado também à pouco, ambos sem passar pelo tal período de 'nojo' nos envolvemos e claro a coisa deu para o escuro. Eu gostava dela, gostava muito dela, tinha uma voz muito feminina, aparentava ser 'calminha' e era muito inteligente.
Adoro mulheres inteligentes. A sua pele macia como as plumas, os olhos desconfiados e quando a abraçava ela se encolhia como os 'corninhos' dos caracóis quando tocados.
Creio que foi a falta de 'preliminares', por insegurança, ingenuidade, sei lá, eu estava nervoso e fiz algo de errado (como sempre) e a coisa cessou.
Como imaginam, depois destas cenas todas um homem quer é repouso, mais umas cenas a atirar para a desgraça entretanto chocaram umas com as outras e fui-me afastando, inclusive de umas grandes amigas que um dia talvez as traga para as minhas memórias.
Dedicado apenas ao trabalho, ao desporto e à leitura, um dia num espaço comercial (era na época uma espécie de animador de rádio) encontrei a principal protagonista desta história.

Sendo que eu, apesar de estar ainda traumatizado com algumas cenas, já tinha percorrido um certo período celibatário e como um homem (dizem) não nasceu para estar só, vai daí a coisa deu o nó.
Entretanto decorreram treze anos e um fruto do nosso enlace surgiu. A Cleópatra (nome fictício como é óbvio, de forma alguma quero ser desterrado para o deserto do Sarah) como é normal durante os anos da nossa relação foi-me contando histórias e eu a ela. É provável que haja sempre nessas histórias um certo floreado, exagero e algumas mentiras leves de parte a parte, mas como lhe disse pelo menos uma vez (isto de um gajo ser honesto é uma pôrra) nunca deixei de gostar de qualquer mulher que passou na minha vida e ela não seria excepção, mal eu sabia o que andava no ar).

O nosso seio familiar era agora composto por nó os dois, a Esmeralda do seu primeiro casamento e o puto, o meu 'Calvin'.
Não sei quem foi a vedeta que escreveu isto: "Quando a necessidade entra pela porta, o amor sai pela janela" mas, em cheio. O amor naquele lar há muito que tinha saltado pela janela, pela chaminé, por tudo o que era buraco.

O 'pai' da Esmeralda abandonou a Cleópatra quando a Esmeralda tinha seis meses, NUNCA MAIS DEU SINAIS DE VIDA. Segundo uma versão mais recente, o senhor ainda tentou aproximar-se de Cleópatra e sua filha Esmeralda só que eu já tinha entrado em cena. Há aqui um lapso de tempo que convém esclarecer, eu quando entrei em cena a Esmeralda tinha já seis anos, ou seja, o artista pelo menos nesses seis anos nunca deu sinais de vida e o burro sou eu.
Quando surgiu a necessidade de registar o Calvin é que foi o car...lho, uma gaja no registo civil disse que visto a Cleópatra ainda estar casada com o 'pai' da Esmeralda era necessário uma declaração do artista a dizer que o Calvin não era seu filho, para eu poder registá-lo como meu, para complicar ainda mais as coisas o meu bilhete de identidade tinha o meu estado civil como 'viúvo' pois vigorava a minha
situação primeira e nós ainda não estávamos casados, vivíamos em "união de facto", que bonito.
A Cleópatra ainda apelou à senhora do registo argumentando que o seu 'marido' a abandonara há cerca de dez anos e que nem o Ministério Público o conseguia encontrar para lhe dar o divórcio. A sra. impávida, "não posso fazer nada".

Podem imaginar a minha fuça e a cara da D. Cleópatra.
Quis Deus ou os meus pais que eu tenha nascido com alguma massa encefálica que de imediato iniciou um trabalho surreal só possível num país como Portugal. Procurei umas letras muito semelhantes às do meu bilhete de identidade e alterei o meu estado civil através de uma fotocópia.
Com a certidão do Calvin, com o seu bilhete de identidade e com uma fotocópia do meu a D. Cleópatra dirigiu-se desta vez a um registo civil de Lisboa, o outro era o de Vila Franca de Xira.
Com o argumento de que devido à minha profissão (agora era, condutor de longo curso) e que não podia andar sem o bilhete de identidade pelas estradas da Europa, a D. Cleópatra apresentou-se para registar o Calvin como nosso filho. Sem mais perguntas o meu puto lá foi registado e eu à porta do tal registo esperando pelo desenlace de todo este imbróglio só possível num país terceiro mundista como Portugal.

Entretanto o Ministério Público lá concedeu o divórcio à D. Cleópatra (ao fim de quase 10 anos) mesmo sem a presença do tal artista e assim podemos casar e ser ainda durante algum tempinho "muito felizes".

Voltamos agora ao inicio da história, onde eu com cara de parvo exclamava - E?
-O que eu acho é que a Esmeralda deveria de responder 'sim' ao seu 'pai' e ver o que o sr. tem para dizer ao fim destes vinte anos sem 'noticias'. Argumentei tal como disse, com cara de parvo.
 Sim, o sr. esteve vinte anos sem dar 'noticias' à filha e à D. Cleópatra.

Não sei o que se passou a seguir nem quero saber, eu há muito que dormia na sala porque meu casamento estava destruído, só sei que um dia, ainda permanecendo lá, tive necessidade de entrar no quarto onde fui feliz e o contrário. Qual não foi o meu espanto ou não, quando olho para a cómoda  estavam duas fotos para mim estranhas, uma do seu primeiro casamento com o pai da Esmeralda e outra de dois putos filhos do sr. artista com outra mulher que não a D. Cleópatra. E um envelope de Boas-Vindas ao sr. artista. Um homem tem de passar por cada merda na puta da vida. Poderia aqui descrever mais alguns pormenores da puta da minha vida, mas chega. Sei que sem nada, fui literalmente despejado na rua, ainda dormi algumas noites numa velha casa que por esmola a D. Cleópatra me concedeu sempre acompanhado por ratos durante a noite e que também tive de abandonar ao fim de uns dias, sem onde ficar valeu-me um Amigo de infância que me recolheu.

Antes de abandonar em definitivo o 'Lar Doce Lar' ainda lhe disse "Tu não vês que estás a destruir mais um lar (já tinha destruído o dela) e que estás a separar um pai dos seus dois filhos (agora já são três). Ao que ela respondeu "Ele não é feliz e a gente se ama".
Parece que o sr. artista é mais inteligente do que eu supunha, pois voltou a assumir a relação com a mãe dos seus três filhos e abandonou a D. Cleópatra.

Onde está a Hipocrisia? Perguntar-me-ão.
Calma minha gente, se não fosse um Amigo de Infância não sei qual teria sido o meu destino, pensei o pior e desesperei.

Eis que há pouco vejo a D. Cleópatra publicar uma foto numa rede social revoltando-se contra a falta de assistência a um sem abrigo dizendo: "isto é um nojo".


Entretanto estou impedido de falar com o meu filho, pela simples razão de estar desempregado. Não quero fazer mais comentários. Não sou capaz, talvez daqui a uns tempos.



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