"TODOS OS QUE COMETEM VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NAS SUAS MAIS VARIADAS FORMAS:
- MAUS TRATOS; ABUSOS SEXUAIS; ALIENAÇÃO PARENTAL... SÃO CRIMINOSOS."

sexta-feira, 8 de março de 2013

Estações alciónias, solstício dos meus dias ...


Estações alciónias,
solstício dos meus dias ...

Longe de embelezar, à distância,
a minha felicidade,
devo lutar para lhe não turvar a imagem;
a sua própria recordação
é hoje demasiado forte para mim.

Mais sincero que a maioria dos homens,
confesso sem rodeios
as causas secretas dessa felicidade:
aquela calma tão propícia aos trabalhos
e às disciplinas
parece-me um dos mais belos efeitos
do amor.

E espanto-me
de que estas alegrias tão precárias,
tão raramente perfeitas no decorrer de uma vida humana,
sob qualquer aspecto
além de que nós os tenhamos procurado
e recebido,
sejam consideradas com tanta desconfiança
por pretendidos sábios,
que eles receiem o seu hábito e excesso
em vez de temer a sua falta e perda,
que passem a tiranizar os sentidos
um tempo que seria mais bem empregado
a ordenar ou a embelezar a alma.

Naquela época
punha em fortalecer a minha felicidade, apreciá-la,
e também em julgá-la,
a atenção que sempre dispensara aos mais pequenos pormenores
dos meus actos;
e que é a própria voluptuosidade
senão um momento de atenção apaixonada do corpo?

Toda a felicidade é uma obra-prima:
o menor erro falseia-a,
a menor hesitação altera-a,
a menor deselegância desfeia-a,
a menor estupidez embrutece-a.

A minha
não é responsável em coisa alguma por aquelas
das minhas imprudências
que mais tarde a quebraram.

Julgo ainda
que teria sido possível a um homem mais hábil que eu
ser feliz até à morte.

marguerite yourcenar
memórias de adriano

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Quem Não Quer Ser Lobo...

Algures na Net:

So... fuch it all

Tens toda a razão, de maneira alguma os palavrões te fazem menos inteligente e até há quem diga que no momento certo os palavrões são uma 'libertação', aliviam o stress e estudos recentes garantem que fazem baixar a tensão arterial.
Mas, quem te viu e quem te vê, quanto esses mesmos palavrões eram utilizados pela minha pessoa, só demonstravam ( de acordo com as tuas análises) que eu era de 'baixa formação', 'rude', grosseiro', 'mal-educado', 'arrogante' e nem o facto de serem utilizados no mesmo contexto que o teu, te levou a ponderar no julgamento que me fizeste em datas recentes. "Pela Boca Morre O Peixe", verdade difícil de ultrapassar. Não te fazem menos inteligente os palavrões, mas de acordo com o nosso historial, te fazem mais parva, mas tens todo o direito ao palavrão.
       
Todos tem direito ao palavrão.

Já dizia o meu Avô Alberto: "Quem Não Quer Ser Lobo, Não Lhe Veste A Pele" e já agora:
So...fuck you all too.
 
                           

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Que Descanse em Paz


Faleceu ontem a pessoa que atrapalhava sua vida...

Um dia, quando os funcionários chegaram para trabalhar, encontraram na portaria um cartaz enorme, no qual estava escrito:

"Faleceu ontem a pessoa que atrapalhava a sua vida na Empresa. Você está convidado para o velório no Salão de Festas".

No início, todos se entristeceram com a morte de alguém, mas depois de algum tempo, ficaram curiosos para saber quem estava atrapalhando as suas vidas e bloqueando seu crescimento na empresa. A agitação na entrada para o Salão de Festas era tão grande, que foi preciso chamar os seguranças para organizar a fila do velório. Conforme as pessoas iam se aproximando do caixão, a excitação aumentava:

- Quem será que estava atrapalhando o nosso progresso ?
- Ainda bem que esse infeliz morreu !

Um a um, os funcionários, agitados, se aproximavam do caixão, olhavam pelo visor do caixão a fim de reconhecerem o defunto, engoliam em seco e saiam de cabeça abaixada, sem nada falar uns com os outros. Ficavam no mais absoluto silêncio, como se tivessem sido atingidos no fundo da alma e dirigiam-se para suas salas. Todos, muito curiosos mantinham-se na fila até chegar a sua vez de verificar quem estava no caixão e que tinha atrapalhado tanto a vida de cada um deles.

A pergunta ecoava na mente de todos: "Quem está nesse caixão"?

No visor do caixão havia um espelho e cada um se via a si mesmo... Só existe uma pessoa capaz de limitar seu crescimento: VOCÊ MESMO! Você é a única pessoa que pode fazer a revolução de sua vida. Você é a única pessoa que pode prejudicar a sua vida. Você é a única pessoa que pode ajudar a si mesmo. "SUA VIDA NÃO MUDA QUANDO SEU CHEFE MUDA, QUANDO SUA EMPRESA MUDA, QUANDO SEUS PAIS MUDAM, QUANDO SEU  NAMORADO  MUDA. SUA VIDA MUDA... QUANDO VOCÊ MUDA! VOCÊ É A ÚNICA RESPONSÁVEL POR ELA."

O mundo é como um espelho que devolve cada pessoa no reflexo de seus próprios pensamentos e seus actos. A maneira como você encara a vida é que faz toda diferença. A vida muda, quando "você muda".

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Haja O Que Houver


...e enquanto me apunhalavas pelas costas enviavas-me como mensagem esta música:
-    
...claro que te apercebeste de que não acreditei em ti. Será que alguma vez acreditei?

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Se Eu Morrer Novo




Se eu morrer novo,
sem poder publicar livro nenhum
Sem ver a cara que têm os meus versos em letra impressa,
Peço que, se se quiserem ralar por minha causa,
Que não se ralem.
Se assim aconteceu, assim está certo.

Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos,
Eles lá terão a sua beleza, se forem belos.
Mas eles não podem ser belos e ficar por imprimir,
Porque as raízes podem estar debaixo da terra
Mas as flores florescem ao ar livre e à vista.
Tem que ser assim por força. Nada o pode impedir.

Se eu morrer muito novo, oiçam isto:
Nunca fui senão uma criança que brincava.
Fui gentio como o sol e a água,
De uma religião universal que só os homens não têm.
Fui feliz porque não pedi cousa nenhuma,
Nem procurei achar nada,
Nem achei que houvesse mais explicação
Que a palavra explicação não ter sentido nenhum.

Não desejei senão estar ao sol ou à chuva -
Ao sol quando havia sol
E à chuva quando estava chovendo
(E nunca a outra cousa),
Sentir calor e frio e vento,
E não ir mais longe.

Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela unica grande razão -
Porque não tinha que ser.

Consolei-me voltando ao sol e a chuva,
E sentando-me outra vez a porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraido.

Alberto Caeiro,  in "Poemas Inconjuntos" 
Heterónimo de Fernando Pessoa

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Vende-se...

"... argumento da história da minha vida, só não sei como o classificar. Será drama, ficção ou comédia?"
(Parte de uma frase publicada num site dito Social)
       
Creio que o conceito se iniciou no Brasil. Retenho na memória de que uma série, creio ser esse o nome, que passava em Portugal cujo episódio de cerca de uma hora tinha como opção dois ou três finais.
Claro que a coisa era comercial mas tinha o seu atractivo de através de um número de telefone o espectador  decidir de como acabaria a história entre duas ou três opções que lhe eram facultadas pela realização.
 Se inicialmente a história não passava de um drama o espectador poderia decidir tornar-se numa comédia tudo dependia da opção final.

       Como opção de vida, creio não estar longe da realidade e os brasileiros souberam tirar partido da coisa. A nossa vida ou pelo menos a maior parte dela dependerá de decisões por nós tomadas. Se optarmos por destruir nossos caminhos perante as primeiras dificuldades surgidas, é uma opção.
Se decidirmos destruir vidas terceiras só para nos safarmos, é outra opção.
Se para 'sermos' felizes na nossa vida destruímos outras felicidades, não deixa de ser outra opção e por aí fora.
Comédia? Drama? Ficção? Creio que essa definição só ocorrerá depois de assumirmos nossas decisões.
Chegados aí, muito dificilmente conseguimos uma definição. Raramente aceitamos nossas responsabilidades
e vai daí será muito mais fácil optarmos por responsabilizar-mos o parceiro do lado.
Claro que fica difícil definir o argumento da nossa vida, embora eu tenha uma opinião muito, digamos, ortodoxa.
      Se optarmos pensar com o Pénis ou a Vagina em lugar do cérebro, creio que a definição mais correta para definir o argumento será: "Porno-Chachada".



                                   

domingo, 30 de dezembro de 2012

CÂNTICO NEGRO


"Vem por aqui" dizem-me alguns com olhos doces,    
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
Sei que não vou por aí.

José Régio

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Quando fores velha




Quando já fores velha, e grisalha, e com sono,
Pega este livro: junto ao fogo, a cabecear,
Lê com calma; e com os olhos de profundas sombras
Sonha, sonha com o teu antigo e suave olhar.

Muitos amaram-te horas de alegria e graça,
Com amor sincero ou falso amaram-te a beleza;
Só um, amando-te a alma peregrina em ti,
De teu rosto a mudar amou cada tristeza.

E curvando-te junto à grade incandescente,
Murmura com amargura como o amor fugiu
E caminhou montanha acima, a subir sempre,
E o rosto em multidão de estrelas encobriu.

William Yeats

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Minha cabeça estremece


Se eu quisesse, enlouquecia.
Sei uma quantidade de histórias terríveis.
Vi muita coisa, contaram-me casos extraordinários, eu próprio...

Foi assim que iniciei um artigo qualquer, a memória é curta e apenas retenho o essencial.
A primeira vez  que tive um embate com a poesia e a prosa de Herberto Hélder foi através de um Grande
Amigo, Fernando Alves, numas águas furtadas algures em Santarém aos microfones (coisa bonita) de uma
Rádio Livre, já lá vão um horror de anos.
Há um aperto no peito quando recordo estas coisas, mas adiante.
Sempre que a vida me confrontou com uma certa realidade, utilizei essa aprendizagem no meu quotidiano.
Numa dessa ocasiões  peguei no Passos em Volta de Herberto Hélder e atirei:

"Se eu quisesse, enlouquecia.
Sei uma quantidade de histórias terríveis.
Vi muita coisa, contaram-me casos extraordinários, eu próprio...
Enfim, às vezes já não consigo arrumar tudo isso.
Porque, sabe?, acorda-se às quatro da manhã num quarto vazio, acende-se um cigarro... Está a ver?
A pequena luz do fósforo levanta de repente a massa das sombras, a camisa caindo sobre a cadeira ganha um volume impossível, a nossa vida... compreende?... a nossa vida, a vida inteira, está ali como... como um acontecimento excessivo...
Tem de se arrumar muito depressa.
Há felizmente o estilo.
Não calcula o que seja?
Vejamos: o estilo é um modo subtil de transferir a confusão e violência da vida para o plano mental de uma unidade de significação.
Faço-me entender?
Não?
Bem, não aguentamos a desordem estuporada da vida".

Ui! O que fiz eu, quase espumando aos cantos da boca e com o olhar flamejando 'disparando' sem contemplação em todas as direcções, questionou-me.

-O que sabes tu? Vá diz-me, diz-me lá quais são essas histórias terríveis que tu sabes!!!
-Mas ó mulher estou apenas citando um poema de Herberto Hélder ( e apressadamente retiro o livro da estante, abro), está aqui, repara.
- Após uns segundos de um angustiante silêncio (tempo para ela conferir a obra), voltam de novo os disparos.
-Tu sabes muito, estás convencido que me iludes.
-?????????

Desnecessário será dizer que foi ela que me contou histórias terríveis e meu mundo desabou mais um pouco com aquela sensação estranha de que o filme se repetia tal como Milan Kundera o entendeu na 'Insustentável Leveza do Ser'.

Ainda agora, quando me vem à memória essa noite, minha cabeça estremece.



terça-feira, 27 de novembro de 2012

O Homem é um cadáver adiado (Fernando Pessoa)

Hoje, talvez seja um dia especial. Uns nascem outros morrem mas tu estás viva. Pelo menos esse coração bate e irriga-te o cérebro, logo permite que penses e analises. Nem tudo o que parece é e estás no tempo de pensar em que mais alguém precisa de ti. Mas de uma vez por todas precisas de saber o teu lugar, de onde vieste, para onde vais. Alguém disse: "O que determinou o que estamos hoje a viver foram as nossas escolhas e serão elas também o que irão determinar o que vamos viver amanhã." - Ora aqui está uma frase
digamos, 'sensata', embora incompleta. É que às vezes escolhemos mal sem nos apercebermos e tomamos opções influenciados pelas aparências já que sempre se disse que a vista é a primeira a 'comer'. Bom, isso pouco importa agora, vive e não esqueças que tens quem de ti depende. Que tenhas um grande dia e que o futuro seja aquilo que tu queiras. A Humildade tem de ter sempre lugar no teu coração. Parabéns. Diverte-te.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

VIVER


"Construir, todos os dias, incansavelmente, demencialmente, momentos inesquecíveis: isso sim vale a pena. Sê um construtor de momentos inesquecíveis, de momentos que vais querer, tal como quiseste vivê-los, recordar. Momentos que vais querer recordar incansavelmente, demencialmente. Sê um criador que nunca se cansa de construir momentos que vai querer recordar."
(Pedro Chagas Freitas, "Eu Sou Deus")

Fazer da vida uma festa, um banquete permanente. Eis o que os mercados e os governos nos querem impedir de fazer. Gozar a vida na leitura, no conhecimento, na arte, no prazer. Não ser o homem das meias-medidas, o meio-homem, a meia-mulher. Viver intensamente o instante. Viver é "nascer todos os dias, de novo. Consiste em ver tudo de novo", em fazer tudo de novo, em ser todos os dias "virgem de felicidade, criança de exaltação, bebé de euforia", como diz Pedro Chagas Freitas. Não é andar todo o dia a contar os trocos, a fazer contas. Viver é excesso mas também contemplação. Não é andar trabalho-casa, casa-trabalho, não é estar às ordens do governo, da polícia, da Merkel, dos mercados. Viver definitivamente é não estar às ordens de ninguém. Viver é andar sem Deus nem amos, como dizem os anarquistas. Não é certamente andar em função da televisão, do telejornal, do futebol, das telenovelas. Viver é desfrutar a vida. Quer através do saber, quer através do próprio querer, da vontade. Viver é sermos reis e senhores da vida. E eu conheci poetas vadios, sem-abrigo que o eram. Não são necessárias fortunas. Aliás, o dinheiro a partir de determinado nível só traz escravidão, dependência. Viver é certamente dar e receber amor e ser livre. É isso que somos. É isso que podemos ser. Não escravos disto e daquilo. Não subservientes em relação a este e àquele. Livres, soberanos, sonhadores. Donos da vida. Construtores de momentos inesquecíveis, criadores de vida. Eis porque estamos aqui, eis porque usamos a palavra. Ninguém nos vai roubar isto.

ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Sorri




Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos

Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz

Charles Chaplin

sábado, 10 de novembro de 2012

"Eu não merecia" ou "Enquanto todos vivem as suas vidas eu vivo na ilusão de viver".


“... Porque é que uns nascem na miséria e outros na opulência, sem nada terem feito para justificar essa posição?
Porque é que para uns nada dá certo, enquanto que para outros tudo parece sorrir?...”
                                                                                                                                                            “...As vicissitudes da vida têm, pois, uma causa, e, uma vez que Deus (para quem acredita Nele) é justo, essa causa deve ser justa. Eis do que cada um deve compenetrar-se bem...” 

Capítulo 5. item 3 do Evangelho


Assumir total responsabilidade por todas as coisas que acontecem em nossa vida, incluindo sentimentos e emoções, é um passo decisivo em direcção à nossa maturidade e crescimento interior. A tendência em acusar a vida, as pessoas, a sociedade, o mundo, enfim, é tão antiga quanto o género humano; e muitos de nós crescemos aprendendo a raciocinar assim, censurando tudo e todos, nunca examinando o nosso próprio comportamento, que na verdade decide a vida em nós e fora de nós.

Assimilamos o “mito do vitimismo” nas mais remotas religiões politeístas, vivenciadas por todos nós durante as várias encarnações (para quem acredita em tal coisa), quando os deuses temperamentais nos premiavam ou castigavam de conformidade com suas decisões arbitrárias. Por termos sido vítimas nas mãos dessas divindades, é que passamos a usar as técnicas para apaziguar as iras divinas,comercializando favores com oferendas a Júpiter no Olimpo, a Neptuno nas actividades do oceano, a Vénus nas áreas afectivas e a Plutão, deus dos mortos e dos infernos.

Aprendemos a justificar com desculpas perfeitas os nossos desastres de comportamento, dizendo que fomos desamparados pelos deuses, que a conjunção dos astros não estava propícia, que a lua era minguante e que nascemos com uma má estrela. Ainda muitos de nós acreditamos ser vítimas do pecado de Adão e Eva e da crença de um deus judaico que privilegia um povo e despreza os outros, surgindo assim a ideia da hegemonia divina das nações (e até aqueles que se dizem ateus, mas por detrás, procuram videntes, cartomantes, médiuns, etc., deveriam de pensar um pouco).

As pessoas que acreditam ser “vítimas da fatalidade” continuam a apontar o mundo exterior como culpado dos seus infortúnios. Recusam absolutamente reconhecer a conexão entre seus modos de pensar e os acontecimentos exteriores. São influenciadas pelas velhas crenças e se dizem prejudicadas pela força dos hábitos, pelas cargas genéticas e, ou, pela forma como foram criadas, afirmando que não conseguem ser e fazer o que querem.

Não sabem (ou fingem não saber) que são arquitectos de seu destino, nem se conscientizam de que o passado determina o presente, o qual, por sua vez, determina o futuro. A vítima sente-se impotente  e indefesa em face de um destino cruel. Sem força nem capacidade de mudar, repetidas vezes afirma: “Eu não merecia isto”, “A vida é injusta comigo”, nunca lhe ocorrendo, porém, que o seu jeito de ser é que materializa pessoas e situações à sua volta.

Defendem seus gestos e atitudes infelizes dizendo: “Meus problemas são causados no meu lar”, “Os outros sempre se comportam desta forma comigo", "não faço mal a ninguém e não tenho sorte nenhuma.... é só um desabafo".

Desconhecem que as causas dos problemas somos nós e que, ao renascermos, atraímos esse lado para aprendermos a resolver nossos conflitos. São os nossos comportamentos interiores que modificam o comportamento dos outros para connosco  Se somos, pois, constantemente maltratados é porque estamos constantemente nos maltratando e ou maltratando alguém (ou não será assim?).

Ninguém pode fazer-nos agir ou sentir de determinada maneira sem a nossa permissão. Outras pessoas ou situações poderão estimular-nos a ter certas reacções  mas somente nós mesmos determinaremos quais serão e como serão essas reacções  As formas pelas quais reagimos foram moldadas pelas experiências em várias vidas e sedimentadas pela força de nossas crenças interiores - mensagens gravadas em nossa alma.

Portanto, precisamos assumir o comando de nossa vida e sair do posicionamento infantil de criaturas mimadas e frágeis, que reclamam e se colocam como “vítimas do destino. Admitir a real responsabilidade por nossos actos e atitudes é aceitar a nossa realidade de vida - as metas que alteram a sina de nossa existência. Em vez de atribuirmos aos outros e ao mundo nossas derrotas e fracassos, lembre-mo-nos de que “as vicissitudes da vida têm, pois, uma causa,e, uma vez que Deus é justo, essa causa deve ser justa”???

Só para terminar, por agora, será também muito importante LIBERTAR-MO-NOS dos ou das  'conselheiro(a)s matrimoniais' em especial daquelas do tipo: "acredita já passei por isso" ou "o tempo raramente volta para trás...". Uns ainda, tem a certeza de que o tempo nunca volta atrás.
Já o meu avô Alberto dizia: "Nunca digas que desta água não beberei". Amizades honestas, fortes, altruístas é uma coisa rara, de profetas da desgraça, víboras maquiavélicas e invejosas ou vampirismo  energético está o planeta cheio, façam as vossas opções.
 O Mundo está cheio de quem nos queira 'BEM' e por isso não deixa de ser um lugar muito estranho.

Adaptação de um artigo publicado em : Amigos do Freud 
(Entre parênteses e em itálico do autor deste blogue)

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

“Viver não dói”

    

Definitivo, como tudo o que é simples.                      
Nossa dor não advém das coisas vividas,                                  
mas das coisas que foram sonhadas            
e não se cumpriram.                                      
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.
Sofremos por quê?   




                                                   
Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projecções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos, por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.
                                                                                      Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante      
                                                                                      e paga pouco, mas por todas as horas livres
                                                                                      que deixamos de ter para ir ao cinema,
                                                                                      para conversar com um amigo,
                                                                                      para nadar, para namorar.


Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente connosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.
                                                                                                     

                                                                                       Sofremos não porque nosso time perdeu,
                                                                                       mas pela euforia sufocada.
                                                                                       Sofremos não porque envelhecemos,
                                                                                       mas porque o futuro está sendo
                                                                                       confiscado de nós, impedindo assim
                                                                                       que mil aventuras nos aconteçam,
                                                                                       todas aquelas com as quais sonhamos e
                                                                                       nunca chegamos a experimentar.


Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!                          
A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional.


 (Carlos Drummond de Andrade)



terça-feira, 30 de outubro de 2012

Vou-te Levando em Segredo

Os Amigos amei
despido de ternura
fatigada;
uns iam, outros vinham,
a nenhum perguntava
porque partia,
porque ficava;
era pouco o que tinha,
pouco o que dava,
mas também só queria
partilhar
a sede de alegria -
por mais amarga.

Eugénio de Andrade, "Coração do Dia"

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A Formiga e a Mulher

    Um dia uma formiga observou uma mulher carregando um enorme peso em suas costas, ao longo de sua jornada, esta mulher resmungava que a sua vida não estava da maneira que gostaria e que estava carregando mais peso do que podia.

No dia seguinte a formiga parou mais uma vez para observar uma outra mulher que também carregava um enorme peso, esta mulher reclamava que poderia carregar o dobro do peso que levava, se fosse reconhecida pelas pessoas que passavam por ela.

No terceiro dia a formiga observou outra mulher que também carregava um enorme peso, entretanto esta mulher parou e observou a pequena formiguinha com um gigantesco peso em suas costas que quadruplicava seu próprio tamanho e disse: " Um dia formiguinha, espero poder carregar algo tão grande quanto eu mesmo".

A formiga não acreditando no que ouvia disse: "Talvez você não possa carregar algo tão maior do que seu próprio corpo, no entanto com esse pensamento, você alcançará algo muito maior do que muitos não conseguem, nem ao menos pensar, assim você aos poucos e sem reclamar constrói seu IMPÉRIO INTERIOR... e dele; Poucos saberão seu poder". 

Adaptado de um original de: Enzo Pasqualetti

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

PESADELO

PARTIDA DE TRECES

                                                              
Por fin me paro                                                                      
y miro de reojo
lo que ha passado por mi vida
lo que se ha arrastrado por mis ojos,       
la suerte de mi destino.

Y entonces finjo no darme cuenta
de las lágrimas que se me escapan,
tapo con la mano el orgullo
y reconozco la luz.

En esta vida solo hay un camino
y no hay dolor que pare una lucha,
yo sigo a mi destino,
saliendo del pesar que esta vida me acusa.

Que mal arrastra al ser humano,
que ahoga la vida a un silencio,
que oculta el sueño tras de una herida,
que se hace preso de su mismo dueño.

A veces miro el cielo,
y limpio las lagrimas que me crecen
doy un suspiro al viento,
y sigo con mi partida de treces.

Francisco Gago Nieto

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Nesta Esquina do Tempo



Nesta esquina do tempo é que te encontro,
Ó nocturna ribeira de águas vivas
Onde os lírios abertos adormecem
A mordência das horas corrosivas.

Entre as margens dos braços navegando,
Os olhos nas estrelas do teu peito,
Dobro a esquina do tempo que ressurge
Da corrente do corpo em que me deito

Na secreta matriz que te modela,
Um peixe de cristal solta delírios
E como um outro sol paira, brilhando
Sobre as águas, as margens e os lírios.

José Saramago









segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Paz Interior


“Diz um velho conto Zen que um velho Monge Budista, Mestre em Artes Marciais era capaz de enfrentar e derrotar qualquer adversário por mais difícil que ele fosse.


Certo dia, um homem conhecido pela sua total falta de escrúpulos apareceu com a intenção de desafia-lo e claro, vencê-lo. O velho Monge aceitou o desafio e o homem começou de imediato a insultá-lo. Chegou a jogar algumas pedras em sua direcção, cuspiu para cima do velho Monge e gritou todos os tipos de insultos.

Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho Monge permaneceu impassível.
No final do dia, sentindo-se já exausto e humilhado, o homem se deu por vencido e retirou-se. Desapontados com a falta de reacção do velho Mestre, os alunos perguntaram-lhe como ele pudera suportar tanta humilhação. O Mestre então perguntou:

- Se alguém chega até vós com um presente, e vós não o aceitais, a quem pertence o presente?

- A quem tentou entregá-lo. Respondeu um dos discípulos.

- O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos. Quando não aceites, continuam pertencendo a quem os carregava consigo.

A vossa  paz interior depende exclusivamente de vós. As pessoas não podem vos tirar a calma a não ser que vós o deixais.”